Ex presidente da Alerj deixou o presídio de Bangu 8, no Rio de Janeiro, e foi encaminhado à Penitenciária Federal de Brasília após decisão do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal investiga suposta ligação do ex parlamentar com esquema de lavagem de dinheiro, contravenção e vazamento de informações para integrantes do Comando Vermelho.

Ana Beatriz Publicado em 04/07/2026, às 13h42
Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília após determinação do STF, em um desdobramento da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de proteção ao crime organizado no estado.
A nova fase da operação visa aprofundar investigações sobre lavagem de dinheiro ligada ao jogo do bicho e conexões entre políticos e contraventores, além de apurar vazamentos de informações sigilosas que comprometeram investigações policiais.
Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e expedidos mandados de prisão contra outros envolvidos, enquanto o STF determinou o sequestro de bens que podem totalizar R$ 22 milhões para garantir ressarcimento aos cofres públicos; as defesas negam as acusações.
O ex presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, foi transferido na manhã deste sábado para a Penitenciária Federal de Brasília, em cumprimento a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A medida representa um novo desdobramento da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal, que investiga uma suposta rede de proteção ao crime organizado envolvendo agentes públicos e integrantes da contravenção no estado do Rio de Janeiro.
Até então, Bacellar permanecia custodiado no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, localizado no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. Antes da transferência para a unidade federal, ele foi levado à Superintendência da Polícia Federal no Rio para o cumprimento de um novo mandado de prisão preventiva expedido pelo STF.
Segundo a Polícia Federal, a nova fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e às conexões entre políticos, empresários e integrantes da contravenção fluminense. Os investigadores também apuram suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais para membros da facção criminosa Comando Vermelho, o que teria comprometido ações de investigação.
Nesta etapa da operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti. Além de Bacellar, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra o pastor Marcio Poncio e contra o contraventor Adilson Coutinho, conhecido como Adilsinho. Entre os alvos das buscas também esteve o ex deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex governador Sergio Cabral.
De acordo com a investigação, fases anteriores da Operação Unha e Carne resultaram na apreensão de listas atribuídas a Adilsinho que apontariam pagamentos periódicos a políticos, além de registros de doações eleitorais destinadas a agentes públicos. O Supremo Tribunal Federal também determinou o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões, como forma de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos e impedir a movimentação de recursos supostamente ligados ao esquema investigado.
A defesa de Rodrigo Bacellar nega qualquer envolvimento do ex parlamentar com os crimes investigados. Em nota, os advogados afirmaram que ele jamais atuou para impedir investigações ou favorecer organizações criminosas e sustentam que a instrução processual demonstrará sua ausência de participação nos fatos apurados. As defesas dos demais investigados também negam irregularidades.
A transferência para um presídio federal costuma ser adotada em casos considerados de alta complexidade ou quando as autoridades entendem ser necessária uma estrutura de segurança reforçada para garantir a preservação das investigações e da ordem pública. O caso segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal.
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