Diário de São Paulo
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Caso Master

Mendonça autoriza transferência de Vorcaro para sede da PF em Brasília

Banqueiro é transferido de helicóptero para a PF após defesa indicar negociação de delação

Dono do Banco Master é transferido após sinalizar delação. - Imagem: DivulgaçãoSAP-SP.
Dono do Banco Master é transferido após sinalizar delação. - Imagem: DivulgaçãoSAP-SP.

Erika Osti Publicado em 19/03/2026, às 19h09


O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou nesta quinta-feira (19) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro da Penitenciária Federal de Brasília para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal, na capital. A mudança ocorre em meio à sinalização da defesa de que o empresário avalia firmar um acordo de delação premiada com investigadores.

A decisão foi tomada a pedido dos advogados e se insere no contexto de negociações em andamento com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, a iniciativa é interpretada como um indicativo de que Vorcaro pode colaborar com as investigações que apuram um esquema bilionário envolvendo o Banco Master.

A transferência foi realizada no início da noite. Vorcaro deixou a penitenciária por volta das 18h50, em um helicóptero, e chegou à sede da PF cerca de 15 minutos depois. Até então, ele estava submetido ao regime rígido do sistema penitenciário federal, marcado por isolamento e controle estrito da rotina.

Na nova unidade, o banqueiro deve permanecer em uma sala de Estado-Maior, tipo de acomodação destinado a presos com prerrogativas específicas e que oferece condições mais amplas do que as celas do sistema penitenciário comum. O espaço conta com cama, mesa, banheiro privativo e itens básicos de conforto, além de maior possibilidade de contato com advogados. Esse modelo já foi adotado em outros casos de grande repercussão e costuma ser utilizado em situações consideradas excepcionais, especialmente quando há tratativas jurídicas em andamento, como negociações de colaboração com as autoridades.

A possibilidade de colaboração ganhou força após mudanças na defesa. Na semana passada, o criminalista Pierpaolo Bottini deixou o caso e foi substituído por José Luis Oliveira Lima, conhecido por atuar em negociações de acordos de delação. A troca ocorreu depois de o STF formar maioria para manter a prisão de Vorcaro.

O advogado chegou a procurar a Polícia Federal para informar o interesse do cliente em discutir um possível acordo, mas não comentou publicamente o assunto, alegando a sensibilidade do caso.

Vorcaro está preso desde o início de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele já havia sido detido anteriormente, em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após o colapso financeiro da instituição.

As investigações apontam para um esquema de fraudes estimado em cerca de R$ 17 bilhões, envolvendo a criação de carteiras de crédito fictícias e tentativas de negociação desses ativos para encobrir prejuízos. O caso também levou ao afastamento de servidores do Banco Central e atingiu outras instituições ligadas ao grupo.

Uma eventual delação de Vorcaro é vista por investigadores como peça-chave para aprofundar o alcance das apurações e identificar outros envolvidos no esquema.


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