Ex-ministro do Supremo adotou tom cauteloso ao falar sobre a disputa presidencial e afirmou que a política brasileira é “incerta”; relação entre os dois magistrados foi marcada por confrontos públicos na Corte.

Redação Publicado em 19/05/2026, às 10h46
A pré-candidatura de Joaquim Barbosa à presidência nas eleições de 2026, lançada pelo partido Democracia Cristã, gera movimentação nos bastidores políticos, com comentários do ex-ministro Marco Aurélio Mello que a considera uma decisão pessoal.
Barbosa, ex-relator do mensalão e figura proeminente do STF, busca transformar sua experiência jurídica em capital político, apostando em um discurso de combate à corrupção e independência institucional em um cenário polarizado.
A rivalidade histórica entre Barbosa e Marco Aurélio, marcada por debates acalorados durante seus mandatos no STF, ressurge com a candidatura, refletindo a imprevisibilidade do atual cenário político nacional.
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello comentou pela primeira vez a pré-candidatura do também ex-ministro Joaquim Barbosa à Presidência da República nas eleições de 2026. O nome de Barbosa foi lançado pelo partido Democracia Cristã e já movimenta os bastidores políticos em Brasília.
Em declaração à imprensa, Marco Aurélio adotou um discurso discreto e classificou a decisão do ex-colega de Corte como uma questão pessoal. “É coisa de foro íntimo. Que ele seja feliz”, afirmou.
Questionado sobre as chances de Joaquim Barbosa chegar ao Palácio do Planalto, o ex-ministro evitou fazer prognósticos, mas destacou a imprevisibilidade do cenário político nacional. “Quem sabe? A política é incerta”, resumiu.
A manifestação reacende a lembrança de uma das rivalidades mais conhecidas da história recente do STF. Durante os anos em que atuaram juntos na Suprema Corte, Marco Aurélio e Joaquim Barbosa protagonizaram debates duros e episódios de tensão pública em julgamentos de grande repercussão nacional.
Um dos confrontos mais marcantes ocorreu durante o julgamento sobre a interrupção da gravidez em casos de fetos anencefálicos. Na ocasião, Joaquim Barbosa criticou uma decisão monocrática assinada por Marco Aurélio, gerando uma troca de declarações em plenário.
Na época, Marco Aurélio reagiu dizendo que o STF “não era lugar para agressões” e afirmou que discussões naquele tom deveriam ocorrer “na rua”, e não dentro da Corte. Posteriormente, esclareceu que não se tratava de um desafio físico ao colega, mas de uma crítica à postura adotada no debate.
A entrada de Joaquim Barbosa na corrida presidencial amplia o cenário político para 2026 e já provoca reações dentro e fora do Judiciário. Ex-relator do mensalão e uma das figuras mais conhecidas da história recente do STF, Barbosa tenta agora transformar sua trajetória jurídica em capital político.
Nos bastidores, aliados avaliam que o ex-ministro aposta no discurso de combate à corrupção e independência institucional para conquistar espaço em meio à polarização nacional.
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