Encontro em Nova Délhi reforçou a cooperação militar, o combate ao crime na fronteira e ampliou o debate sobre regulação da inteligência artificial

Erika Osti Publicado em 19/02/2026, às 16h18
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi convidado nesta quinta-feira (19), pelo presidente da França, Emmanuel Macron, a participar da próxima Cúpula do G7. O convite foi feito durante reunião bilateral em Nova Délhi, na Índia, e simboliza um movimento de aproximação política entre os dois países, que também avançaram em temas sensíveis como cooperação em defesa e combate ao crime transnacional.
O G7 reúne as sete maiores economias industrializadas do mundo, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, além da participação da União Europeia. O grupo funciona como um dos principais fóruns de coordenação política e econômica entre países desenvolvidos, discutindo temas como segurança internacional, crescimento econômico, clima e novas tecnologias. Embora não integre o bloco, o Brasil costuma ser convidado para reuniões específicas, como ocorre agora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por ser visto como um ator relevante nas discussões globais e na interlocução com países emergentes.
O encontro ocorreu à margem da cúpula internacional sobre inteligência artificial e teve uma agenda ampla. Ao mesmo tempo em que formalizou o convite para o G7, Macron discutiu com Lula o aprofundamento da parceria militar entre Brasil e França, considerada estratégica pelas duas nações.
Entre os pontos tratados está o programa de submarinos convencionais e nucleares da Marinha do Brasil, desenvolvido com tecnologia e apoio franceses. As delegações também conversaram sobre a possível venda de helicópteros brasileiros, em mais um sinal de interesse em ampliar a cooperação industrial no setor de defesa.
Na área de segurança, os presidentes alinharam esforços para enfrentar crimes na região de fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa. O foco das tratativas inclui o combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a outras atividades ilícitas que pressionam a faixa amazônica compartilhada pelos dois territórios.
Apesar do avanço em diferentes frentes, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia não entrou na pauta. Macron segue contrário ao tratado, segundo fontes envolvidas nas negociações.
O diálogo também abordou temas globais, especialmente os impactos e riscos da inteligência artificial, principal assunto do evento realizado na capital indiana. Após a reunião, Macron publicou nas redes sociais uma foto ao lado de Lula e afirmou, em português, estar feliz em reencontrar “um grande amigo” em Nova Délhi, destacando a intenção comum de promover uma IA responsável e proteger crianças no ambiente digital.
No campo econômico, o governo brasileiro ressaltou que o comércio bilateral com a França atingiu 10,3 bilhões de dólares no último ano, recorde histórico que reforça o peso crescente da relação entre os dois países.
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