Presidente brasileiro terá agenda com líderes internacionais, incluindo reuniões bilaterais com França, Japão e Egito

Redação Publicado em 14/06/2026, às 16h10 - Atualizado às 16h30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (14) para a França, onde participará da reunião de líderes do G7, marcada para terça-feira (16) em Évian-les-Bains. Embora o Brasil não integre oficialmente o grupo das maiores economias industrializadas do mundo, Lula tem sido convidado para os encontros desde que voltou ao Palácio do Planalto, em 2023.
A viagem ocorre em meio à expectativa de um possível encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula. Até o momento, porém, não há reunião bilateral oficialmente agendada entre os dois líderes. Segundo integrantes do governo brasileiro, a ausência de pedidos formais por parte do Planalto ou da Casa Branca não impede que o encontro aconteça nos bastidores do evento.
Encontro com Trump
A principal preocupação do governo brasileiro é garantir que Lula esteja presente já na segunda-feira (15), primeiro dia da programação do G7. A avaliação no Palácio do Planalto é que Trump pode participar apenas da abertura da reunião, repetindo o comportamento adotado no encontro realizado no Canadá no ano passado.
O possível diálogo entre os presidentes ganha relevância diante das recentes medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Washington estuda elevar a carga tarifária total para até 37,5% sobre determinadas exportações do Brasil.
No governo brasileiro, há uma leitura de que a tarifa adicional de 25%, justificada pelos EUA como resposta a supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociação diplomática. Já a sobretaxa de 12,5%, relacionada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é vista por integrantes da equipe econômica e diplomática como uma medida praticamente consolidada.
Agenda com líderes internacionais
Durante a estadia na França, Lula terá uma série de reuniões bilaterais. Na segunda-feira (15), está previsto um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. No mesmo dia, o presidente brasileiro também deve se reunir com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
Na terça-feira (16), Lula terá encontros com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes da cerimônia oficial de chegada ao G7. O presidente brasileiro também pretende conversar com os líderes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
Inteligência artificial e plataformas digitais
Um dos temas centrais da cúpula será a inteligência artificial. Está previsto um almoço de trabalho dedicado ao assunto, no qual Lula deve defender a posição brasileira de que o país não persegue plataformas digitais nem discrimina empresas de tecnologia estrangeiras.
O presidente também pretende afirmar que o Brasil está aberto à instalação de operações de empresas do setor, desde que elas atuem de acordo com as leis brasileiras. O tema ganhou peso nas relações com os Estados Unidos após o Escritório do Representante Comercial americano (USTR) citar decisões do Poder Judiciário brasileiro envolvendo empresas de tecnologia dos EUA como justificativa para medidas tarifárias contra o Brasil.
Relação com a União Europeia
A viagem à França também acontece em um momento de tensão comercial com a União Europeia. O bloco confirmou recentemente a proibição da importação de carnes, tripas, peixes e mel do Brasil, com entrada em vigor prevista para 3 de setembro.
Além dos temas comerciais, Lula deve aproveitar a cúpula para defender crescimento econômico equilibrado e mudanças na governança global. A expectativa é que ele mencione a necessidade de reformas em instituições internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O que é o G7
O G7 reúne sete das maiores economias do mundo:
Estados Unidos
Canadá
Reino Unido
França
Alemanha
Itália
Japão
O grupo discute temas globais como economia, comércio, segurança, clima e tecnologia, e frequentemente convida países parceiros e organismos internacionais para participar de parte das reuniões.

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