Treze funcionários em cargos estratégicos concentraram pagamentos milionários desde 2016; valores ultrapassam R$ 30 mil mensais em alguns casos.

Redação Publicado em 17/04/2026, às 09h47
Levantamento revela que 13 servidores da Câmara dos Deputados acumularam mais de R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016, levantando preocupações sobre remunerações excessivas no serviço público e distorções administrativas.
Os pagamentos, que não se enquadram no teto constitucional, permitiram que alguns servidores recebessem valores mensais superiores a R$ 30 mil, com destaque para o advogado-adjunto Daniel Borges de Moraes, que recebeu mais de R$ 1 milhão em horas extras.
A Câmara defende que os pagamentos seguem regras legais e são registrados adequadamente, mas a situação intensifica a demanda por maior transparência nos gastos públicos e pode impulsionar discussões sobre o controle de verbas extraordinárias na administração pública.
Um levantamento sobre pagamentos realizados pela Câmara dos Deputados revelou que 13 servidores concursados em cargos de alta responsabilidade acumularam, juntos, mais de R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016. Os valores, corrigidos pela inflação, reacenderam discussões sobre remunerações acima do padrão no serviço público e possíveis distorções na estrutura administrativa da Casa.
Os pagamentos, classificados como verba extraordinária, não entram no limite do teto constitucional do funcionalismo, o que permite remunerações muito superiores ao salário-base. Em alguns casos, os valores mensais pagos a título de horas extras ultrapassaram R$ 20 mil, chegando a mais de R$ 30 mil.
Entre os maiores beneficiados está o advogado-adjunto da Câmara, Daniel Borges de Moraes, que recebeu mais de R$ 1 milhão em horas extras no período analisado. Apenas em 2025, foram mais de R$ 170 mil em pagamentos adicionais. Logo atrás aparece o diretor-geral da Casa, Guilherme Barbosa Brandão, com mais de R$ 823 mil acumulados desde 2016.
A lista inclui ainda diretores, advogados e policiais legislativos lotados em áreas estratégicas da estrutura administrativa, todos com cifras elevadas em jornadas extraordinárias. Alguns servidores ultrapassaram a marca de R$ 1,4 milhão em adicionais, o que evidencia a concentração desse tipo de pagamento em um grupo restrito de funcionários.
A situação chama atenção porque, para alcançar esses valores, seria necessário cumprir jornadas extensas ao longo da semana, incluindo finais de semana e feriados. A prática, embora prevista em lei, gera questionamentos sobre a necessidade real dessas cargas horárias e sobre os critérios adotados para autorizar o serviço extraordinário.
Em nota, a Câmara dos Deputados informou que todos os pagamentos seguem regras legais e são registrados por meio de sistema biométrico, com justificativa formal e autorização prévia. Segundo a Casa, os servidores beneficiados cumprem “jornadas extenuantes” e as horas extras obedecem aos requisitos estabelecidos na legislação vigente.
Mesmo com a justificativa institucional, os números ampliam a pressão por mais transparência nos gastos públicos, especialmente em um momento de cobrança social por equilíbrio fiscal e revisão de privilégios dentro da máquina pública.
O caso também deve alimentar o debate sobre mecanismos que permitam maior controle sobre verbas indenizatórias e extraordinárias, frequentemente utilizadas para ampliar a remuneração de grupos específicos dentro da administração pública.
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