Ministro do STF comenta sobre a decisão de prisão domiciliar de Bolsonaro e a reação da oposição no Congresso Nacional

William Oliveira Publicado em 06/08/2025, às 12h59
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (6) que não há desavenças internas na Corte em razão da decisão recente de Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração foi dada na chegada ao Fórum Saúde, promovido pela Esfera Brasil e pela farmacêutica EMS. O evento contou também com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“O ministro Alexandre tem toda a nossa confiança e o nosso apoio”, declarou Gilmar ao ser abordado por jornalistas durante um evento em Brasília.
Gilmar esclareceu que, embora a medida de Moraes não tenha sido previamente discutida com os demais ministros, ela não causou qualquer crise institucional. A decisão foi tomada após Bolsonaro ser filmado participando de manifestações no último domingo (3), desrespeitando ordem judicial que o proibia de usar redes sociais.
A prisão gerou fortes reações de aliados do ex-presidente, que acusam o Judiciário de perseguição política. No dia seguinte, parlamentares da oposição obstruíram os trabalhos no Congresso, marcando o retorno das atividades após o recesso.
Sanções a Moraes
O ministro Gilmar Mendes também criticou a resposta do governo dos Estados Unidos, que recorreu à Lei Magnitsky para aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. Essa legislação americana permite punir estrangeiros envolvidos em corrupção ou violações de direitos humanos.
Gilmar condenou a medida e afirmou que ela atenta contra a soberania brasileira: “O que não é normal é tentar usar tarifas para obter mudanças institucionais. Isso é claramente repudiável e afeta a soberania dos países”, afirmou.
Em julho, os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e incluíram Moraes em uma lista de sanções. Gilmar classificou a iniciativa como "impensável", dizendo que nenhuma nação deve tentar influenciar decisões de cortes constitucionais de outro país por meio de pressão econômica ou diplomática.
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