Diário de São Paulo
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CPI do Crime

Fundador da Reag nega ligação da empresa com o PCC

Empresário prestou depoimento à comissão que investiga lavagem de dinheiro e disse que gestora sempre atuou dentro da lei

João Carlos Falbo Mansur presta depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado. - Imagem: Reprodução/Agência Senado.
João Carlos Falbo Mansur presta depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado. - Imagem: Reprodução/Agência Senado.

Erika Osti Publicado em 11/03/2026, às 16h15


O fundador e ex-presidente do conselho de administração da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur, negou nesta quarta-feira (11) qualquer participação em fraudes ou ligação com o crime organizado durante depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado. A empresa, que foi liquidada pelo Banco Central do Brasil no início deste ano, é investigada em operações da Polícia Federal que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital.

Convocado para prestar esclarecimentos, Mansur permaneceu em silêncio durante grande parte da sessão, amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Ainda assim, decidiu responder a alguns questionamentos e aproveitou para defender a trajetória da empresa que fundou.

Segundo o empresário, a Reag nunca manteve relação com organizações criminosas e não há provas de envolvimento da gestora com atividades ilegais. Ele afirmou que, ao longo das investigações, não foi encontrada nenhuma referência direta que associasse a companhia ao PCC.

A convocação do empresário foi solicitada pelo presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato, que citou informações da Operação Carbono Oculto, investigação que apura a infiltração do crime organizado em setores da economia, incluindo o sistema financeiro. De acordo com dados mencionados na comissão, fundos administrados pela Reag teriam sido usados para movimentar cerca de R$ 250 milhões ligados à facção criminosa.

Durante o depoimento, Mansur afirmou que a empresa administrava cerca de 700 fundos de investimento distribuídos entre centenas de grupos empresariais e famílias, somando aproximadamente R$ 300 bilhões sob gestão. Ele explicou que os recursos pertenciam a investidores e não à própria companhia e que os fundos questionados representam apenas uma pequena parcela desse volume.

O empresário também rebateu suspeitas envolvendo fundos com cotista único, modalidade que, segundo ele, é comum no mercado financeiro e não configura irregularidade. Para explicar o funcionamento, comparou os fundos a um condomínio, em que investidores seriam proprietários e gestores atuariam como administradores da estrutura.

Apesar das explicações, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, criticou o fato de Mansur ter se recusado a responder diversas perguntas dos parlamentares. Na avaliação do relator, algumas questões feitas na comissão não eram autoincriminatórias e poderiam ter sido esclarecidas pelo depoente.

A CPI investiga possíveis esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras envolvendo empresas e instituições do mercado, incluindo suspeitas de manipulação de ativos que teriam beneficiado o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro.

Durante a sessão, senadores também debateram o alcance do direito ao silêncio concedido ao empresário. Enquanto o relator questionou a postura do depoente, Contarato e o vice-presidente da comissão, o senador Hamilton Mourão, defenderam que o investigado tinha o direito de se manifestar apenas quando julgasse necessário.

A reunião ainda previa o depoimento do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que havia sido convidado para falar sobre o combate ao crime organizado no estado, mas ele não compareceu por compromissos previamente agendados.

Instalada para investigar a atuação e o financiamento de facções criminosas no país, a CPI busca identificar como organizações ilegais utilizam setores da economia para movimentar recursos e ocultar patrimônio.


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