Diário de São Paulo
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Crise internacional e Justiça

Foto divulgada pelos EUA expõe queda de Ramagem após fuga e prisão internacional

Ex-diretor da Abin e ex-deputado foi preso pelo ICE em Orlando após meses foragido; caso envolve condenação por tentativa de golpe e abre disputa jurídica entre Brasil e Estados Unidos.

Registro oficial divulgado pelo governo dos EUA mostra Alexandre Ramagem sob custódia após prisão em Orlando, na Flórida - Imagem: Reprodução
Registro oficial divulgado pelo governo dos EUA mostra Alexandre Ramagem sob custódia após prisão em Orlando, na Flórida - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 14/04/2026, às 15h06


O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nos Estados Unidos, ampliando a tensão jurídica entre Brasil e EUA, após ser condenado a mais de 16 anos de prisão por crimes graves, incluindo tentativa de golpe de Estado.

Ramagem fugiu do Brasil em setembro de 2025, utilizando um passaporte diplomático, e foi considerado foragido até sua detenção em Orlando, onde questões migratórias podem complicar seu processo de extradição.

O governo brasileiro já formalizou o pedido de extradição, que agora depende da análise das autoridades americanas, enquanto a oposição no Brasil questiona a legalidade da condenação, alegando perseguição política.

O governo dos Estados Unidos divulgou, nesta terça-feira (14), a primeira imagem oficial do ex-deputado federal Alexandre Ramagem após sua prisão em território americano, em um caso que amplia a tensão jurídica e política entre Brasil e EUA.

A foto, registrada pelo sistema prisional do condado de Orange, mostra Ramagem vestindo um moletom verde com capuz, em um típico registro de custódia. A divulgação marca um novo capítulo na trajetória do ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que passou de figura central do poder em Brasília a foragido internacional.

A prisão foi realizada pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida, e confirmada pela Polícia Federal brasileira como resultado de cooperação internacional entre os dois países.

De aliado do poder à condição de foragido

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Antes de ser preso, ele havia fugido do Brasil em setembro de 2025, mesmo sob restrição judicial, utilizando um passaporte diplomático que não havia sido apreendido. A saída ocorreu pela fronteira com a Guiana, de onde seguiu para os Estados Unidos.

Desde então, era considerado foragido da Justiça brasileira e incluído em mecanismos de cooperação internacional, incluindo alertas da Interpol.

Prisão nos EUA e possível extradição

A detenção de Ramagem nos Estados Unidos ocorreu em meio a questões migratórias — incluindo possível visto expirado — e abriu caminho para um processo complexo de extradição.

O governo brasileiro já havia formalizado o pedido de extradição em 2025. Agora, o caso depende de análise de autoridades americanas, incluindo o Departamento de Justiça e o Departamento de Estado, que avaliam se os crimes imputados possuem equivalência na legislação dos EUA.

Especialistas apontam que crimes como tentativa de golpe e organização criminosa têm correspondência jurídica no sistema americano, o que pode favorecer o avanço do processo.

Disputa política e narrativa internacional

O caso também ganhou contornos políticos. Setores da oposição no Brasil têm questionado a legalidade da condenação e articulam junto a autoridades americanas argumentos contra a extradição, incluindo a tese de perseguição política.

Do outro lado, o governo brasileiro sustenta que se trata de cumprimento de decisão judicial definitiva, baseada em crimes graves contra o Estado democrático.

O simbolismo da imagem

Mais do que um registro burocrático, a divulgação da foto tem peso simbólico: representa a queda pública de um ex-integrante do alto escalão do poder brasileiro, agora sob custódia estrangeira.

A imagem também reforça a narrativa de cooperação internacional no combate a crimes contra a democracia — e sinaliza que o desfecho do caso ultrapassa fronteiras nacionais.


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