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Flávio Bolsonaro intensifica apelo ao ligar derrota de Lula ao futuro do pai

A declaração de Flávio sobre a derrota de Lula como condição para salvar Jair Bolsonaro revela a estratégia de sua campanha para 2026

Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Imagem: Reprodução/Redes Sociais

por Marina Milani

Publicado em 09/12/2025, às 15h18


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom da própria pré-candidatura à Presidência da República ao afirmar que impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 é “o que vai salvar o Brasil e vai salvar o meu pai da prisão”. A declaração foi feita em entrevista à Folha de S.Paulo e marca a estratégia de campanha que o parlamentar tem adotado desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso, em 22 de novembro, após descumprir medidas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Poucos dias depois, ocorreu o trânsito em julgado da condenação relacionada à trama golpista.

Ao ser questionado sobre qual seria sua prioridade — tirar o pai da prisão ou impedir um novo mandato de Lula — Flávio foi categórico ao afirmar que as duas pautas estão diretamente conectadas. O senador também reforçou que sua candidatura ao Palácio do Planalto não será retirada em favor de outros nomes do campo conservador, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para ele, uma disputa interna entre os dois seria ilógica. “Não tem cenário de eu ser candidato e ele ser. Seria uma ignorância muito grande, e ignorante é tudo o que o Tarcísio não é”, disse.

Flávio tenta se apresentar como a versão “moderada” do bolsonarismo, ressaltando que carrega o sobrenome e o legado político do pai, mas com temperamento distinto. “Todo mundo que tentou ser igual a Bolsonaro se deu mal porque Bolsonaro é inigualável. Ele é minha referência. Mas se eu tentar ser igual a ele, não vou ser eu”, afirmou. Para reforçar a diferenciação, citou a campanha de vacinação contra a Covid-19: “Ele não quis tomar vacina; eu tomei duas doses.” Ao se definir, resumiu: “Muita gente pedia: ‘Bolsonaro, você tem que ser mais moderado’. Pô, sou eu. Bolsonaro mais moderado.”

O senador também comentou pesquisas recentes que o colocam em situação competitiva. Após visitar o pai na carceragem da Polícia Federal, Flávio afirmou que o lançamento de sua pré-candidatura já produz efeitos mensuráveis. Ele mencionou levantamento do Instituto Veritá, que o coloca em empate técnico com Lula. “Já me bota ali num empate técnico com o atual governo”, declarou, antes de corrigir: “Com o atual desgoverno.”

Rebatendo críticas sobre sua viabilidade eleitoral, Flávio disse que a recepção popular desmente avaliações negativas. “Ao contrário do que muita gente imaginava, dizendo que era um nome inviável, que não ia decolar, a gente já vê pesquisas mostrando o que eu sinto nas ruas.” O senador acrescentou que pretende disputar mesmo sem o apoio do Centrão, se necessário. “Se não tiver o apoio do Centrão, vou com o PL e com o povo”, afirmou.

A declaração de que a derrota de Lula seria condição para “salvar” Jair Bolsonaro adiciona um novo elemento à disputa antecipada de 2026, sinalizando que o senador pretende consolidar sua campanha diretamente vinculada ao destino jurídico do pai — e à manutenção do bolsonarismo como principal força de oposição ao governo federal.


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