Fernando Collor de Mello foi preso em Maceió após STF manter ordem de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro

William Oliveira Publicado em 25/04/2025, às 09h45
O ex-presidente Fernando Collor de Mello foi preso na madrugada desta sexta-feira (25), em Maceió, Alagoas, após o Supremo Tribunal Federal (STF) manter a ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. Condenado a 8 anos e 10 meses de reclusão por corrupção e lavagem de dinheiro, Collor é alvo de uma investigação ligada à Operação Lava Jato.
A detenção ocorre em um momento decisivo, já que o plenário do STF julga ainda hoje a decisão de Moraes, que rejeitou os últimos recursos apresentados pela defesa do ex-presidente. A sessão terá início às 11h e deve seguir até as 23h59, com participação dos 11 ministros. O andamento do julgamento, porém, pode ser interrompido caso haja pedido de vista ou destaque por algum magistrado.
Na quinta-feira (24), Moraes classificou os recursos como "meramente protelatórios" e determinou o cumprimento imediato da pena, mesmo antes da publicação do acórdão, baseando-se em jurisprudência já firmada pelo tribunal.
Segundo a defesa, Collor estava prestes a se entregar voluntariamente em Brasília quando foi surpreendido pela prisão em sua residência. Os advogados afirmaram estranheza com a rapidez da decisão judicial.
A condenação tem origem em uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2015, que aponta o recebimento de ao menos R$ 20 milhões em propinas, entre 2010 e 2014, para beneficiar empresas em contratos com a BR Distribuidora, então subsidiária da Petrobras. Os valores teriam sido intermediados por influência política e usados na nomeação de diretores estratégicos da estatal.
Parte do dinheiro ilícito teria sido empregado na compra de bens de alto valor, como carros de luxo e obras de arte — caracterizando a lavagem de dinheiro. Em buscas realizadas pela Polícia Federal (PF), foram apreendidos veículos como Ferrari, Porsche e Lamborghini, todos em nome de empresas de fachada.
A acusação inicial incluía cinco crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato e obstrução de Justiça. No entanto, o STF descartou duas acusações e declarou a prescrição da organização criminosa.
Em 2023, a Corte confirmou a condenação de Collor, afirmando que ele recebeu até R$ 29,9 milhões em propinas por contratos fraudulentos com a BR Distribuidora. Outros empresários também foram condenados no processo.
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