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Justiça

Ex-deputado Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA

Condenado pelo STF por tentativa de golpe, ex-deputado foi localizado na Flórida após fugir do Brasil e é alvo de pedido de extradição

Alexandre Ramagem é preso nos Estados Unidos após fuga do Brasil. - Imagem: Reprodução/Câmara dos Deputados.
Alexandre Ramagem é preso nos Estados Unidos após fuga do Brasil. - Imagem: Reprodução/Câmara dos Deputados.

Erika Osti Publicado em 13/04/2026, às 14h08


O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) nos Estados Unidos pelo ICE, órgão responsável pelo controle de imigração no país. A detenção foi confirmada pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, Ramagem estava foragido desde setembro de 2025, quando deixou o Brasil de forma clandestina.

Segundo as autoridades brasileiras, ele atravessou a fronteira terrestre entre Roraima e a Guiana sem passar por controle migratório. De lá, seguiu até Georgetown, capital do país vizinho, onde embarcou com destino aos Estados Unidos. Investigações apontam que o ex-parlamentar utilizou um passaporte diplomático, mesmo após determinação para seu cancelamento.

A prisão ocorreu em Orlando, na Flórida, por questões migratórias. Ramagem foi levado a um centro de detenção e, até o momento, não há definição sobre os próximos passos para sua extradição. O governo brasileiro aguarda informações das autoridades americanas sobre o processo de retorno.

De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a captura é resultado da cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos. Ele destacou que Ramagem era considerado foragido da Justiça brasileira e estava em situação irregular no território americano.

A condenação do ex-deputado foi determinada no contexto das investigações sobre a tentativa de ruptura institucional ligada aos atos de 8 de janeiro. Ele recebeu pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, havia determinado a inclusão do nome de Ramagem na lista de difusão da Interpol, o que permitiu sua eventual localização e prisão fora do país. O pedido de extradição foi formalizado pelo Brasil no fim de dezembro de 2025 e encaminhado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Mesmo fora do país, Ramagem sofreu sanções políticas e administrativas. Após a perda do mandato, teve o passaporte diplomático cancelado e os vencimentos parlamentares bloqueados por decisão judicial. 

As investigações também apontam que a fuga contou com apoio logístico. Um empresário foi preso sob suspeita de financiar e auxiliar na saída clandestina do ex-deputado do Brasil. A defesa nega irregularidades. Aliados de Ramagem afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos, hipótese que ainda não foi confirmada pelas autoridades.

A prisão reacende o debate sobre a responsabilização de envolvidos na tentativa de golpe e reforça a articulação entre países para cumprimento de decisões judiciais em casos de repercussão internacional.


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