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Banco Master

Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas ligadas à rede investigada no caso Master

Documentos fiscais mostram emissão de três notas para empresas relacionadas à estrutura empresarial investigada por movimentações envolvendo Daniel Vorcaro; defesa afirma que duas foram canceladas e nega vínculo com o Banco Master.

Notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro passaram a integrar os desdobramentos das investigações relacionadas ao Caso Master. - Imagem: Reprodução
Notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro passaram a integrar os desdobramentos das investigações relacionadas ao Caso Master. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 23/07/2026, às 10h05


Novos documentos fiscais levantaram suspeitas sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e empresas investigadas no caso do Banco Master, com notas fiscais totalizando R$ 1,5 milhão emitidas por seu escritório de advocacia. Duas notas foram canceladas, mas uma permanece ativa, gerando questionamentos sobre a legalidade das transações.

As notas fiscais foram emitidas para a Copenhagen Consultoria, que recebeu R$ 58 milhões do Banco Master, e para a Contábil Correa, que tem vínculos com a primeira. O contador Rogério Lourenço Novo, que atua em ambas as empresas, é um ponto central nas investigações.

Flávio Bolsonaro negou qualquer conhecimento sobre vínculos entre as empresas e o Banco Master, afirmando que as notas foram canceladas e que não houve pagamento. Ele planeja tomar medidas judiciais contra a divulgação de informações que considera indevidas, enquanto a Trustee DTVM, gestora da Copenhagen, afirmou não ter controle sobre suas relações comerciais.

Novos documentos fiscais ampliaram os questionamentos sobre a relação entre o entorno empresarial do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e empresas conectadas à estrutura investigada no caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão em favor de empresas ligadas à rede empresarial investigada. Duas delas, no valor de R$ 500 mil cada, foram posteriormente canceladas, enquanto uma terceira, também de R$ 500 mil, permanece registrada.

As duas primeiras notas foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa que, segundo investigações, recebeu R$ 58 milhões provenientes do Banco Master e figura entre as companhias que mais receberam recursos da instituição financeira no período analisado.

Dois dias depois, em 9 de abril, foi emitida uma terceira nota fiscal para a Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa que, de acordo com os registros, compartilha vínculos societários e administrativos com a Copenhagen.

O principal elo entre as duas empresas é o contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece como diretor da Copenhagen e também como sócio da Contábil Correa. Além disso, integra o conselho fiscal da Ambipar.

A Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 40 e, segundo a reportagem, pertence ao fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A gestora é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de movimentação e ocultação de patrimônio relacionado ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que firmou contrato de prestação de serviços jurídicos com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, empresa que atende centenas de clientes.

Segundo o senador, houve apenas uma consulta sobre a possibilidade de prestar serviços para a Copenhagen, mas a contratação não foi concluída, motivo pelo qual as notas fiscais emitidas para essa empresa foram canceladas e nenhum pagamento foi recebido.

Flávio também declarou que nunca teve conhecimento de qualquer vínculo entre as empresas e o Banco Master e classificou como infundadas as tentativas de associar seu nome ao caso. O parlamentar afirmou ainda que pretende adotar medidas judiciais contra o que considera divulgação indevida de informações protegidas por sigilo.

Já Rogério Lourenço Novo confirmou ser proprietário da Copenhagen desde setembro de 2025 e afirmou que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos destinados a clientes de seu escritório contábil. Questionado sobre quais serviços foram efetivamente executados, informou que buscaria as informações, mas, segundo a reportagem, não retornou posteriormente.

A Trustee DTVM também se manifestou e declarou que não possuía ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre eventuais negociações entre a empresa e o Banco Master.

O caso integra a série de investigações relacionadas ao chamado "Caso Master", que apura movimentações financeiras, estruturas empresariais e possíveis mecanismos de ocultação patrimonial envolvendo empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro.


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