Diário de São Paulo
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Polêmica no judiciário

Desembargadores afastados recebem quase R$ 1,5 milhão em benefícios extras em um ano

Mesmo sob investigação, magistrados de Minas Gerais continuaram com salários e acumularam altos valores em verbas adicionais fora do teto constitucional.

Desembargadores afastados do TJMG seguiram recebendo salários e benefícios que elevaram ganhos para perto de R$ 1 milhão em um ano. - Imagem:  Juarez Rodrigues / TJMG
Desembargadores afastados do TJMG seguiram recebendo salários e benefícios que elevaram ganhos para perto de R$ 1 milhão em um ano. - Imagem: Juarez Rodrigues / TJMG

Redação Publicado em 22/04/2026, às 10h10


Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais receberam R$ 1,4 milhão em benefícios extras durante um ano, mesmo sob investigação, evidenciando o impacto dos 'penduricalhos' na remuneração da magistratura.

Magid Nauef Láuar, investigado por abuso sexual, e Alexandre Victor de Carvalho, por favorecimento à empresa 123 Milhas, acumularam, respectivamente, R$ 739 mil e R$ 757 mil em verbas adicionais entre abril de 2025 e março de 2026.

Apesar do afastamento, ambos mantiveram o salário integral, conforme regras do Conselho Nacional de Justiça, e os casos seguem sob investigação, levantando questões sobre transparência e privilégios no Judiciário.

Dois desembargadores afastados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) receberam, juntos, cerca de R$ 1,4 milhão em benefícios extras ao longo de um ano, mesmo enquanto estavam sob investigação. Os dados foram levantados com base em informações do Portal da Transparência e expõem o peso dos chamados “penduricalhos” na remuneração da magistratura.

Os magistrados Magid Nauef Láuar e Alexandre Victor de Carvalho foram afastados por motivos distintos. Láuar é investigado por suspeitas de abuso sexual, enquanto Carvalho é alvo de apurações por possível favorecimento à empresa 123 Milhas em decisões judiciais.

Entre abril de 2025 e março de 2026, Láuar recebeu R$ 739 mil em verbas adicionais, enquanto Carvalho acumulou R$ 757 mil no mesmo período. Esses valores incluem gratificações, vantagens pessoais, adicionais por tempo de serviço e indenizações que não entram no cálculo do teto constitucional.

Mesmo afastados das funções, ambos continuaram recebendo salário integral, conforme regra do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida impede o exercício da função, mas não suspende a remuneração durante o andamento das investigações.

Na prática, quando somados salários e benefícios, os ganhos individuais dos magistrados se aproximaram de R$ 1 milhão em 12 meses. Em alguns casos, os valores extras chegaram a superar o salário-base mensal, elevando significativamente os contracheques.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que os pagamentos seguem a legislação vigente. Segundo a instituição, verbas indenizatórias e valores retroativos são legalmente excluídos do teto salarial, o que permite que a remuneração total ultrapasse o limite mensal previsto.

Os casos seguem sob investigação do CNJ, que não divulgou prazo para conclusão. Enquanto isso, os pagamentos continuam sendo realizados normalmente, o que reacende o debate sobre transparência, privilégios e regras de remuneração no Judiciário brasileiro.


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