Advogados do ex-presidente protocolam revisão criminal no Supremo, alegam erro judiciário e questionam atuação da Primeira Turma no caso da tentativa de golpe de Estado.

Ana Beatriz Publicado em 09/05/2026, às 12h36
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou um pedido de revisão criminal no STF, contestando sua condenação por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, alegando erro judiciário e irregularidades no processo.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados a atos golpistas, e a defesa busca reverter ou reduzir essa condenação, argumentando que a Primeira Turma não deveria ter julgado o caso.
Embora a defesa tenha solicitado que a revisão seja analisada pela Segunda Turma, a competência para julgamento de revisões criminais é do plenário do STF, e a nova 'Lei da Dosimetria' pode influenciar pedidos de redução de penas, mas sua aplicação dependerá de análise individual.
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira (8) no Supremo Tribunal Federal um pedido de revisão criminal da condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Os advogados também solicitaram que a ação seja analisada por ministros da Segunda Turma da Corte, e não pelos integrantes da Primeira Turma, responsável pelo julgamento original.
No documento enviado ao STF, a defesa sustenta que houve “erro judiciário” na condução do processo e afirma que a condenação teria sido contrária “à lei e à evidência dos autos”. Os advogados também contestam a competência da Primeira Turma para julgar o caso e apontam supostas irregularidades na delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.
A revisão criminal é considerada um instrumento jurídico excepcional, utilizado apenas quando não existem mais possibilidades de recurso. A medida permite a reabertura de um processo criminal já encerrado definitivamente, desde que sejam apresentadas provas novas, fatos inéditos ou elementos que indiquem erro judicial relevante. Especialistas avaliam que esse tipo de ação raramente resulta na anulação de condenações no STF.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de ruptura institucional e aos atos que culminaram nos ataques de 8 de janeiro. Após o trânsito em julgado da ação penal, a defesa passou a estudar alternativas jurídicas para tentar reverter ou reduzir os efeitos da condenação.
Os advogados pediram que a revisão seja distribuída a um ministro da Segunda Turma do STF. O argumento apresentado é evitar que o caso volte às mãos de ministros que participaram diretamente da condenação na Primeira Turma, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo original.
Apesar do pedido da defesa, a competência para julgamento de revisão criminal no STF é do plenário da Corte. Ainda assim, o debate interno sobre distribuição e relatoria pode gerar novos desdobramentos processuais nas próximas semanas.
O movimento ocorre no mesmo dia em que avançaram discussões envolvendo a chamada “Lei da Dosimetria”, norma promulgada após derrubada de veto presidencial e que pode abrir caminho para pedidos de redução de penas de condenados pelos atos golpistas. A aplicação da lei, porém, não é automática e dependerá de análise individual do Supremo Tribunal Federal.
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