A deputada federal Carla Zambelli foi detida em Roma após dois meses foragida; governo brasileiro formalizou o pedido de extradição

William Oliveira Publicado em 30/07/2025, às 12h25
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi detida nesta terça-feira (29) em Roma, após dois meses foragida da Justiça brasileira. A prisão, no entanto, não encerra sua situação jurídica no Brasil, já que a extradição ainda depende da análise das autoridades italianas.
Zambelli é alvo de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ser condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Segundo as investigações, ela teria coordenado a emissão de um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes.
Além da pena de reclusão, a deputada também foi condenada a pagar R$ 2 milhões por danos coletivos. Detentora de dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil em busca de asilo político na Itália, apenas duas semanas após sua condenação.
Processo de extradição
O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição junto ao governo italiano no dia 11 de junho, por meio do Itamaraty. O documento inclui a sentença condenatória e os artigos do Código Penal que embasam a decisão.
A Justiça italiana será responsável por decidir se a deputada será devolvida ao Brasil ou se poderá responder ao processo em liberdade. As próximas horas são consideradas cruciais para a definição do seu status jurídico no país europeu.
O processo de extradição tende a ser lento e complexo, exigindo a análise de tratados bilaterais e da legislação italiana. Não há prazo definido para uma decisão final.
No pedido enviado à Itália, Moraes garantiu que Zambelli não será submetida a prisão perpétua, tortura ou perseguição política. Também assegurou que ela será julgada somente pelos fatos já descritos no pedido de extradição.
Divergência entre defesa e autoridades
A defesa da deputada, representada por Fábio Pagnozzi, afirmou que ela se entregou voluntariamente às autoridades italianas para colaborar com as investigações. Zambelli, segundo ele, busca ser julgada de forma imparcial e sem viés político.
Entretanto, a Polícia Federal (PF) brasileira contesta essa versão, afirmando que a prisão ocorreu graças à cooperação com a polícia italiana e a Interpol. O deputado italiano Angelo Bonelli também afirmou que foi ele quem denunciou o paradeiro da deputada em Roma, levando à captura.
Mandato em aberto
Apesar da condenação, a Câmara dos Deputados ainda não se manifestou oficialmente sobre a possível perda do mandato de Carla Zambelli. O tema deve ser debatido nas próximas semanas.
O caso relembra episódios anteriores na política brasileira, como o do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que fugiu para a Itália após sua condenação no escândalo do mensalão e acabou extraditado em 2015.
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