Wadih Damous, secretário nacional do Consumidor, se reuniu com Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, em meio a investigações sobre fraudes que desviaram R$ 6,3 bilhões

Jair Viana Publicado em 04/05/2025, às 11h10 - Atualizado em 05/05/2025, às 11h10
Em um encontro marcado por sigilo, Wadih Damous, secretário nacional do Consumidor, se reuniu com Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, e outros dois indivíduos em 4 de junho de 2024. Esta reunião ocorre em um contexto delicado, já que os presentes estão sob investigação pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga uma suposta associação criminosa envolvida em fraudes que resultaram em um desvio superior a R$ 6,3 bilhões, afetando aposentados e pensionistas.
O evento secreto aconteceu na véspera de uma importante deliberação do Tribunal de Contas da União (TCU), que analisava uma auditoria que corroborou as alegações de irregularidades financeiras através da cobrança indevida de mensalidades associativas. Embora a pauta oficial da reunião tenha sido registrada como "discussão sobre consignados", o timing do encontro levantou questões sobre possíveis conotações ilegais.
Pouco tempo após essa reunião, o então procurador-geral do INSS — atualmente sob suspeita de ter recebido R$ 11,9 milhões em propinas através de intermediários — apresentou um recurso ao TCU buscando impedir a execução das medidas determinadas pelo tribunal, que incluíam restrições em relação aos empréstimos consignados discutidos com Damous.
No recurso apresentado, Virgílio Oliveira Filho solicitou ao ministro Aroldo Cedraz que impedisse a "medida de bloqueio automático das averbações de novos descontos para empréstimos consignados", na tentativa de evitar que novas contratações fossem barradas.
As acusações contra o ministro Aroldo Cedraz não tardaram a surgir, com seus colegas Bruno Dantas e Walton Alencar afirmando que ele estaria procrastinando a tramitação dos recursos ao mantê-los retidos em seu gabinete, sem encaminhá-los para a análise técnica necessária à implementação das resoluções.
Em busca de esclarecer os fatos, a reportagem tentou contato com Wadih Damous e os demais participantes da reunião. No entanto, até o momento, não houve retorno. O espaço permanece aberto para eventuais comentários e posicionamentos dos envolvidos.
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