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EXÉRCITO

Condenado, Bolsonaro corre risco de perder patente militar

A solicitação se baseia em condenação do STF, que apontou Bolsonaro como líder de organização criminosa após eleições de 2022

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito - Imagem: Reprodução / Hermes de Paula / O Globo
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito - Imagem: Reprodução / Hermes de Paula / O Globo

William Oliveira Publicado em 04/02/2026, às 10h15


O Ministério Público Militar (MPM) protocolou no Superior Tribunal Militar (STM) um pedido para que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja declarado indigno para o oficialato, o que resultaria na perda de seu posto e de sua patente como capitão reformado do Exército. A solicitação se baseia em oito condutas que, segundo o órgão, violam princípios éticos fundamentais previstos no Estatuto dos Militares.

A representação é consequência direta da condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que apurou a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. Na decisão, a Corte concluiu que o ex-presidente liderou uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder, mesmo após a derrota nas urnas.

Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

O MPM sustenta que a Constituição Federal autoriza a perda de posto e patente quando um militar é condenado, com decisão definitiva, a pena privativa de liberdade superior a dois anos. Nesse contexto, cabe ao STM avaliar se o condenado reúne condições morais para permanecer vinculado às Forças Armadas.

Ao apresentar o pedido, o procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, destacou que o caso é inédito na história da Justiça Militar brasileira, por envolver a discussão da expulsão de um militar em razão de crimes contra a democracia.

Segundo o MPM, Bolsonaro utilizou, por longo período, estruturas do próprio Estado — inclusive setores armados — para confrontar os Poderes Constitucionais e minar o funcionamento regular do regime democrático. Para o órgão, esse comportamento é incompatível com os valores exigidos de um oficial das Forças Armadas.

Entre as infrações apontadas estão a quebra do dever de probidade, o desrespeito à dignidade da pessoa humana, o descumprimento de leis e ordens judiciais, a ausência de preparo moral, ataques a militares contrários à ruptura institucional, o uso inadequado da linguagem, a afronta às autoridades civis e o desrespeito aos deveres básicos de cidadão, como aceitar o resultado das eleições.

No entendimento do Ministério Público Militar, as condutas atribuídas a Bolsonaro demonstram completa incompatibilidade com o oficialato. Por isso, o órgão pede que o STM determine, de forma definitiva, a perda de seu posto e de sua patente no Exército Brasileiro.


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