Restauração das obras danificadas levou cerca de um ano e nove meses, com um custo total de R$ 2,2 milhões, destinados à aquisição de equipamentos e à contratação de profissionais especializados

William Oliveira Publicado em 07/01/2025, às 08h28
No dia 8 de janeiro, ao se completar dois anos dos eventos antidemocráticos que marcaram o Brasil em 2023, como forma de relembrar o episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva presidirá uma cerimônia no Palácio do Planalto. O evento tem como objetivo repudiar o golpismo e homenagear as vítimas do episódio.
Entre as atividades programadas, destacam-se a reincorporação de 21 obras de arte vandalizadas durante a invasão ao palácio, uma sessão pública com autoridades e uma ação comunitária denominada "Abraço da Democracia", que será realizada na Praça dos Três Poderes. A recuperação das obras já teve início, com a chegada das primeiras peças restauradas na tarde de segunda-feira (6).
As obras foram escoltadas por agentes da Polícia Federal (PF), garantindo sua segurança até o local. O arquiteto Rogério Carvalho, responsável pela Diretoria Curatorial dos Palácios Presidenciais, informou que cinco obras foram entregues nesse dia. Dentre elas está o famoso quadro "As Mulatas", de Di Cavalcanti, que foi severamente danificado, apresentando pelo menos sete perfurações feitas pelos vândalos. Outra obra significativa é a escultura de bronze "O Flautista", de Bruno Giorgi, que foi quebrada em quatro partes e agora foi totalmente restaurada.
Além dessas, uma ânfora italiana do Renascimento e um vaso cerâmico, que haviam sido despedaçados durante os tumultos, foram recuperados por meio de técnicas avançadas, como raio-X e análise microscópica. A escultura "Vênus Apocalíptica Fragmentando-se", da artista argentina Marta Minujín, também retornou ao acervo presidencial. A peça "Galhos e Sombras", do polonês naturalizado brasileiro Frans Krajcberg, também foi restaurada com sucesso.
Todas as obras foram levadas pela rampa do Palácio do Planalto, pois algumas não caberiam no elevador devido ao seu tamanho. Durante a cerimônia, Lula descerrará a obra de Di Cavalcanti no Salão Nobre. Outro item emblemático da invasão será restituído ao acervo: um relógio do século XVII, que foi violentamente derrubado por Antônio Cláudio Alves Ferreira, um dos responsáveis pelos atos golpistas. Esse relógio, presente da corte francesa ao imperador Dom João VI em 1808, foi restaurado na Suíça, por meio de um acordo formalizado com a Embaixada daquele país no Brasil.
Processo de restauração
Para facilitar a restauração das peças danificadas, foi estabelecida uma estrutura laboratorial inovadora no Palácio da Alvorada. Essa iniciativa é fruto de uma colaboração entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que possui vasta experiência em conservação e restauração artística.
No total, o processo levou cerca de um ano e nove meses e teve um custo total de R$ 2,2 milhões, cobertos pelo Iphan para aquisição de equipamentos e contratação de profissionais especializados.
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