A Conafer, sob investigação, viu sua arrecadação saltar de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 40 milhões entre 2019 e 2024

Gabriela Thier Publicado em 30/09/2025, às 14h56
Na madrugada desta terça-feira (30), Carlos Roberto Ferreira Lopes, líder da Confederação Nacional de Agricultores Familiares (Conafer), foi preso sob a acusação de falso testemunho. Sua detenção ocorreu após um depoimento que se estendeu por mais de nove horas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga descontos irregulares aplicados a beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Após ser levado à delegacia da Polícia Legislativa do Senado, Lopes foi liberado por volta das 4h da manhã, após o pagamento de uma fiança no valor de R$5 mil, conforme informado pela assessoria de imprensa do Senado.
Convocado a depor como testemunha, Carlos Lopes tinha a obrigação legal de prestar informações verdadeiras. No entanto, parlamentares levantaram suspeitas sobre a veracidade de seu relato, o que levou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a solicitar sua prisão. "Ele mentiu deliberadamente à CPMI. Tentou nos convencer de que tudo era parte de uma operação legal. Não é. Estamos cientes de que isso é lavagem de dinheiro proveniente dos aposentados", declarou Viana.
Durante o depoimento, o senador Viana destacou contradições nas declarações do presidente da Conafer, incluindo omissões sobre o aumento da arrecadação da entidade e sobre sua própria situação patrimonial. Em resposta às acusações, Lopes negou qualquer envolvimento em fraudes relacionadas aos descontos cobrados dos associados e afirmou que a Conafer é uma organização aberta e transparente.
"Tanto eu quanto a confederação estamos completamente disponíveis para fornecer documentos e esclarecimentos sempre que solicitados", disse ele antes de ser detido.
A Conafer figura entre as entidades com os maiores volumes de descontos em mensalidades provenientes de aposentados, conforme apuração realizada pela Polícia Federal. De acordo com dados coletados entre 2019 e 2024, a arrecadação anual da confederação teria saltado de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 40 milhões.
Vale destacar que esta não é a primeira prisão ocorrida na CPMI do INSS; anteriormente, Rubens Oliveira Costa também foi detido sob a acusação de prestar falso testemunho. Costa é apontado como sócio do empresário Antônio Carlos Antunes, conhecido como Careca do INSS, que é investigado como suposto operador do esquema corrupto. Ele nega as acusações e afirma que suas atividades eram totalmente legais.
Assim como no caso recente, Rubens Costa também foi liberado poucas horas após sua prisão, determinada pelo presidente da CPMI.
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