Diário de São Paulo
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Braga Netto pressionou coronéis a apoiarem plano de golpe e chamou comandante do Exército de “cagão”

Mensagens reveladas durante investigação da Polícia Federal mostram como o ex-ministro da Defesa tentou cooptar militares para apoiar o movimento golpista após a derrota de Bolsonaro em 2022

Braga Netto pressionou coronéis a apoiarem plano de golpe e chamou comandante do Exército de “cagão” - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Braga Netto pressionou coronéis a apoiarem plano de golpe e chamou comandante do Exército de “cagão” - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews

por Marina Milani

Publicado em 14/12/2024, às 09h28


Na manhã deste sábado (14), a Polícia Federal prendeu o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, no contexto de investigações sobre uma tentativa de golpe militar que buscava manter o ex-presidente no poder após a derrota eleitoral de 2022. Durante as apurações, surgiram conversas que revelam a pressão do general sobre coronéis e outros oficiais de alta patente do Exército, além de um confronto direto com o comandante do Exército, general Freire Gomes.

Em mensagens trocadas com Ailton Barros, militar e candidato a deputado pelo PL (partido de Bolsonaro), Braga Netto não escondeu sua frustração com o comandante do Exército, Freire Gomes, por este não ter aderido ao movimento golpista. O ex-ministro chama o comandante de "cagão", utilizando uma expressão depreciativa para desqualificar sua postura de não apoiar a ação que visava desestabilizar a democracia e contestar o resultado das eleições.

Em mensagem, Braga Netto chama comandante do Exército de "cagão"

Em uma troca de mensagens, Braga Netto descreve Freire Gomes como alguém que falhou em demonstrar a coragem necessária para liderar o movimento golpista, acusando-o de "omissão e indecisão". Para o ex-ministro, a ausência de apoio do comandante do Exército foi um dos principais fatores que contribuiu para o fracasso da trama golpista. “Oferece a cabeça dele. Cagão”, escreveu Braga Netto, em um claro desdém pelo comandante das Forças Armadas.

Além de pressionar Freire Gomes, Braga Netto também tentava cooptar coronéis e outros oficiais de alta patente para se unirem à causa golpista. Em diversas mensagens, o ex-ministro da Defesa expressa a necessidade de mobilizar os militares em apoio ao movimento, criticando aqueles que hesitavam em se comprometer. A troca de mensagens revelou um clima de tensão no alto comando militar, com Braga Netto buscando convencer os colegas a se juntarem ao movimento, sob a premissa de que a vitória de Bolsonaro deveria ser garantida, independentemente do resultado das urnas.

Apesar das tentativas de Braga Netto, o general Freire Gomes e outros oficiais não aderiram ao movimento, o que evidenciou uma divisão dentro das Forças Armadas. A revelação das mensagens trocadas entre Braga Netto e outros militares, como Barros, expõe não apenas a tentativa de subverter a ordem democrática, mas também as tensões internas sobre o papel dos militares na política.


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