Diário de São Paulo
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Despesas públicas e licitações

Após “torrar” R$ 42 mil em passagem, Caio Paes de Andrade contrata o plano de saúde mais caro da Prodesp

Passagem internacional de R$ 42 mil e licitação da Prodesp que resultou na contratação do plano de saúde mais caro reacendem críticas sobre critérios de gasto e transparência, em meio a questionamentos sobre o impacto dessas decisões no bolso do contribuinte

O secretário Caio Paes e o prédio da Prodesp - Imagem: Reprodução
O secretário Caio Paes e o prédio da Prodesp - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 19/01/2026, às 19h04


O governo de São Paulo voltou a ser alvo de questionamentos após a revelação de dois episódios que, para servidores, parlamentares e especialistas em administração pública, colocam em dúvida os critérios adotados no uso de recursos públicos.

O primeiro envolve a viagem internacional do secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, à cidade de Cambridge, na Inglaterra. A passagem aérea custou cerca de R$ 42 mil aos cofres do Estado, valor que chamou a atenção por estar muito acima do que normalmente se encontra no mercado para rotas semelhantes e reacendeu o debate sobre a política de viagens oficiais e o custo benefício dessas agendas.

À época, o governo informou que a compra seguiu as normas administrativas vigentes, levando em conta a agenda oficial, a disponibilidade de voos e a compatibilidade da classe com o cargo ocupado. Ainda assim, o custo elevado passou a ser citado por entidades de classe e por parlamentares como exemplo de distanciamento entre a gestão pública e a realidade financeira vivida pelo contribuinte paulista.

Enquanto a repercussão da viagem ainda se espalhava, outro episódio começou a ganhar espaço nos bastidores da administração estadual. Trata se da licitação conduzida pela Prodesp, empresa de tecnologia ligada ao governo paulista, para a contratação de um plano de saúde destinado aos seus servidores.

O pregão eletrônico, realizado em dezembro, teve início com a Hapvida NotreDame Intermédica apresentando a proposta de menor valor. No meio da sessão, no entanto, os trabalhos foram suspensos sob a justificativa de uma simulação interna de incêndio. Quando o processo foi retomado, a empresa que liderava a disputa acabou desclassificada, sem acesso ao valor de referência do contrato ou a uma nova rodada formal de negociação.

Com a retirada da proposta mais vantajosa, a Unimed Seguros permaneceu como única habilitada e foi declarada vencedora do certame, passando a fornecer o plano de saúde à estatal. A condução do processo passou a ser questionada por concorrentes e por especialistas em licitações, que apontam fragilidades no cumprimento de princípios básicos da administração pública, como isonomia, competitividade e economicidade.

“Quando a empresa com o menor preço é retirada da disputa e o processo segue apenas com uma concorrente, é natural que surjam dúvidas. Esse tipo de situação costuma atrair a atenção dos órgãos de controle”, afirmou um especialista em direito administrativo ouvido pela reportagem.

O caso ganhou peso político adicional nos bastidores por conta de informações sobre vínculos institucionais do secretário da área da Saúde com o Sistema Unimed. Esse contexto ampliou o debate sobre a necessidade de transparência e de mecanismos formais para evitar potenciais conflitos de interesse. Especialistas ressaltam, no entanto, que a existência de vínculos profissionais ou cooperativos, por si só, não caracteriza ilegalidade, mas exige cautela redobrada na condução de processos sensíveis.

Procurada, a Unimed Seguros afirmou, em manifestações anteriores, que participou da licitação em conformidade com a legislação e com as exigências do edital. A empresa negou qualquer tipo de favorecimento e destacou seus compromissos com práticas de governança e integridade.

Já a Prodesp informou que o processo licitatório seguiu os trâmites legais e que eventuais questionamentos podem ser apresentados por meio dos recursos administrativos previstos e junto aos órgãos de fiscalização competentes.

Entre servidores e analistas políticos, a combinação entre uma viagem internacional de alto custo e a contratação de um plano de saúde mais caro para a estatal passou a ser vista como um sinal de desgaste para a gestão estadual. Para eles, o episódio reforça a cobrança por explicações mais detalhadas e por mecanismos de controle mais rigorosos, em um cenário de pressão crescente por austeridade e respeito ao dinheiro do contribuinte.


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