Contrato do Tribunal de Justiça do Pará prevê frota de veículos híbridos e motoristas para magistrados; caso amplia debate sobre gastos e benefícios

Redação Publicado em 21/04/2026, às 15h32
A desembargadora Eva do Amaral está no centro de uma controvérsia após a revelação de que possui um carro de R$ 175 mil, com motorista, custeado pelo Tribunal de Justiça do Pará, o que levanta questões sobre os altos gastos do Judiciário.
O contrato para locação de veículos e motoristas para os 40 desembargadores do estado pode custar mais de R$ 32 milhões em cinco anos, enquanto a magistrada criticou cortes em benefícios que, segundo ela, afetam financeiramente os juízes.
A situação reacende o debate sobre a transparência nos gastos públicos, especialmente após a decisão do Supremo Tribunal Federal de limitar adicionais salariais, mas o Tribunal de Justiça do Pará ainda não se manifestou sobre as críticas.
A polêmica envolvendo a desembargadora Eva do Amaral ganhou um novo capítulo após a revelação de que a magistrada dispõe de um carro avaliado em cerca de R$ 175 mil, com motorista exclusivo, custeados pelo Tribunal de Justiça do Pará.
O benefício faz parte de um contrato firmado pela Corte para atender os 40 desembargadores do estado. O acordo prevê o pagamento mensal de aproximadamente R$ 544 mil para a locação de veículos e a prestação de serviços de motoristas. Ao longo de cinco anos, o custo total pode ultrapassar R$ 32 milhões.
Os carros contratados são modelos híbridos, zero quilômetro, com itens de conforto e segurança, como bancos de couro, ar-condicionado e isolamento acústico. O modelo de referência indicado no contrato é um sedã moderno, voltado para uso executivo.
Segundo o tribunal, a contratação foi justificada pela necessidade de deslocamento frequente dos magistrados para sessões, audiências e compromissos institucionais, dentro e fora da sede da Corte.
Contradição gera repercussão
A divulgação do benefício ocorre poucos dias após Eva do Amaral criticar publicamente a redução dos chamados “penduricalhos” adicionais que elevam os salários de magistrados.
Durante sessão, a desembargadora afirmou que os cortes poderiam levar juízes a uma situação comparável a “regime de escravidão”, alegando dificuldades financeiras enfrentadas por membros da categoria.
A fala gerou forte repercussão nacional, principalmente após a divulgação de que, apenas em março, a magistrada recebeu remuneração bruta superior a R$ 117 mil.
Debate sobre gastos públicos
A combinação de altos salários, benefícios e contratos milionários reacende o debate sobre transparência e limites nos gastos do Judiciário. Especialistas apontam que, embora legais, esses benefícios entram no centro da discussão sobre equilíbrio fiscal e percepção pública.
A decisão recente do Supremo Tribunal Federal de limitar adicionais salariais foi defendida como uma medida para conter excessos e padronizar remunerações no setor público.
Até o momento, o Tribunal de Justiça do Pará não comentou especificamente a repercussão envolvendo a magistrada e os benefícios disponibilizados.
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