Durante uma transmissão ao vivo, Zambelli afirmou que sua saída do Brasil não é um abandono, mas uma estratégia para continuar sua luta

William Oliveira Publicado em 03/06/2025, às 10h52
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), revelou nesta terça-feira (3) que está fora do Brasil e atualmente reside na Europa para realizar um tratamento médico. Ela também informou que pretende solicitar licença do cargo parlamentar.
O anúncio ocorre apenas 20 dias após a deputada ser condenada a 10 anos de prisão por participação na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, Zambelli declarou: “Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim, a princípio, buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e, agora, eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo.”
Ela mencionou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também se licenciou do mandato e viajou para o exterior. “Tem essa possibilidade da constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também”, completou.
A defesa de Zambelli não divulgou seu atual paradeiro. Ela reforçou que sua saída não representa abandono do país.
“Não é desistir da minha luta, pelo contrário, é resistir para poder continuar falando o que eu quero falar”, afirmou.
Zambelli foi condenada por unanimidade em 14 de maio, acusada de orientar o hacker Walter Delgatti Neto na invasão ao sistema do CNJ. A denúncia aponta que a deputada incentivou a inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que a condenação implicaria a perda automática do mandato, cabendo à Mesa Diretora da Câmara apenas oficializar a decisão. No entanto, parlamentares defendem que o tema precisa ser submetido ao plenário.
Retenção de passaporte
Durante as investigações, o passaporte de Zambelli foi apreendido por ordem do ministro Alexandre de Moraes em agosto de 2023. Posteriormente, o documento foi devolvido, o que permitiu que ela deixasse o país sem impedimentos legais.
Sua saída recente, contudo, pode levar o STF a adotar novas medidas cautelares, incluindo a retenção do passaporte novamente. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pode solicitar a prisão da parlamentar.
Em abril, o STF determinou a prisão de Leonardo Rodrigues, conhecido como Léo Índio — primo dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro — após sua fuga para a Argentina. Ele se tornou réu por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
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