Novas imagens mostram os assassinos rondando o delator da facção no aeroporto de Guarulhos

Maria Clara Campanini Publicado em 17/11/2024, às 16h34
Novas imagens capturadas pelas câmeras de vigilância do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, explica mais sobre o assassinato do empresário Vinícius Gritzbach. As filmagens mostram o carro dos atiradores, um Volkswagen Gol preto, circulando nas proximidades de um ônibus da Guarda Civil Municipal (GCM) momentos antes do crime, que ocorreu no dia 8 de novembro. As autoridades estão examinando as imagens como parte das investigações conduzidas pela força-tarefa da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Gritzbach, que havia colaborado com informações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), foi morto a tiros diante do ônibus da GCM. Um motorista de aplicativo também foi vítima fatal no ataque. As câmeras documentaram o Gol preto realizando várias voltas na área de desembarque, sugerindo um comportamento suspeito e estratégico.
Paralelamente, as imagens capturaram a passagem de um Chevrolet Trailblazer preto, utilizado por policiais militares que faziam a escolta do empresário. Relatos indicam que outro veículo de escolta, uma Amarok preta, estava indisponível devido a problemas mecânicos.
Em um vídeo adicional, o Gol é visto estacionando atrás do ônibus da GCM após circular três vezes pelo local. No momento do ataque, nenhum oficial da guarda estava presente no veículo. O vídeo mostra ainda o Gol acelerando e ultrapassando o ônibus antes do término da gravação.
Essas novas evidências visuais são cruciais para a investigação, complementando imagens já divulgadas que registram dois homens mascarados e armados saindo do Gol para efetuar os disparos contra Vinícius.
Até agora, as autoridades não conseguiram identificar ou prender os responsáveis pelo crime. Contudo, investigações envolvem 13 policiais suspeitos de envolvimento na execução: oito policiais militares encarregados da escolta e cinco policiais civis denunciados por corrupção pelo próprio empresário.
A investigação revelou que alguns dos policiais investigados possuem vínculos empresariais e apresentavam um padrão de vida incompatível com seus rendimentos oficiais. Além dos policiais, suspeitos incluem membros do PCC e outras pessoas relacionadas a Vinícius.
Vinícius Gritzbach enfrentava processos por homicídio e lavagem de dinheiro vinculados ao PCC. Em abril, ele formalizou um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), que prometia redução de pena em troca de informações sobre fraudes e extorsões envolvendo a facção criminosa e agentes públicos.
A defesa do empresário apresentou um áudio revelador onde um advogado identificado como Ahmed Hassan estaria conspirando para matar Gritzbach por R$ 3 milhões. Além disso, ele acusou agentes de exigirem R$ 40 milhões para cessar investigações contra ele como mandante de homicídios.
Detalhes emergentes da delação destacam o clima de medo vivido por Vinícius e sua família devido a ameaças do PCC. Durante 21 dias em 2022, eles permaneceram reclusos em casa por segurança. Trocas de correspondência entre sua defesa e promotores evidenciam negociações tensas sobre seu patrimônio substancial durante o processo de colaboração premiada.
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