Criminosos utilizavam o Brasil como rota para o tráfico e contrabando de migrantes rumo aos EUA

William Oliveira Publicado em 31/10/2024, às 13h21
A Polícia Federal (PF) desmantelou, nesta quinta-feira (31), um esquema criminoso voltado para o tráfico e contrabando de migrantes rumo aos Estados Unidos. O grupo, alvo da Operação Everest, recrutava principalmente indivíduos oriundos da Ásia, com destaque para cidadãos de Bangladesh e Nepal, utilizando o Brasil como uma rota estratégica no trajeto ilegal.
A operação contou com a participação de 104 agentes federais e resultou na execução de 35 mandados de busca e apreensão, além de sete ordens de prisão preventiva. As ações foram realizadas em diversas cidades brasileiras, incluindo Porto Velho (RO), Guajará-Mirim (RO), São Paulo (SP), Jardinópolis (SP), Sumaré (SP), Montes Claros (MG), Boa Vista (RR), Assis Brasil (AC) e Manaus (AM). Todas as medidas foram autorizadas pela 7ª Vara Federal de Porto Velho.
De acordo com as autoridades, os migrantes pagavam cerca de US$ 10 mil para serem transportados por rotas clandestinas. A jornada oferecida pelo grupo era marcada por riscos significativos, frequentemente em condições desconhecidas e perigosas.
O Aeroporto Internacional de Guarulhos servia como ponto inicial de entrada no Brasil, facilitando o deslocamento dos migrantes até as regiões fronteiriças do Norte do país. De Guajará-Mirim, eles seguiam para a Bolívia, enquanto Assis Brasil servia como passagem para o Peru.
As investigações revelaram que as vítimas eram conduzidas através da América Central por vias terrestres até a fronteira mexicana com os EUA. Os líderes do esquema eram responsáveis pela gestão dos pagamentos, falsificação de documentos e organização da logística de transporte e travessia das fronteiras. Além disso, a polícia busca coibir o suporte financeiro e logístico oferecido por cúmplices, como agentes de viagens, taxistas, hoteleiros e "coiotes".
A operação identificou ainda fraudes em pedidos de refúgio apresentados no Brasil, usados como justificativa para entrada e permanência temporária no país. Os investigadores destacaram um aumento significativo nos pedidos de refúgio por parte de sul-asiáticos sem causas aparentes nos países de origem, apontando um abuso do mecanismo humanitário.
A investigação teve início após prisões em flagrante de "coiotes" no ano de 2023 na fronteira com a Bolívia. Ao longo de 2024, seis indivíduos foram detidos em flagrante e 22 migrantes do Nepal e da Índia foram resgatados em Guajará-Mirim.
Os envolvidos enfrentam acusações relacionadas ao contrabando de migrantes e associação criminosa.
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