Alunos de escolas privadas relatam ocorrência frequente de cyberbullying; estudo entrevistou 3469 estudantes em São Paulo

Marina Roveda Publicado em 27/09/2023, às 08h35
Uma pesquisa conduzida na Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou que alunos de escolas particulares estão mais suscetíveis a serem vítimas de bullying virtual (cyberbullying) em comparação com estudantes de escolas públicas. O estudo, realizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM) da universidade, entrevistou 3469 estudantes com idades entre 11 e 17 anos em São Paulo, sendo 1991 de escolas públicas e 1478 de instituições privadas.
A pesquisa, parte do doutorado do professor de educação física Raul Alves de Souza, apresentou aos estudantes 15 situações de cyberbullying. Os alunos das escolas particulares apontaram que 11 dessas situações ocorrem com mais frequência entre os membros da comunidade escolar privada. Eles também relataram ter maior probabilidade de vivenciar situações de violência virtual em 10 das 15 situações apresentadas.
"Esses dados claramente demonstram a necessidade de diretores e mantenedores de escolas particulares estarem preparados para lidar com o cyberbullying", explica a advogada Ana Paula Siqueira, especialista em Direito Digital. "Mesmo que o cyberbullying ocorra na internet e fora do horário escolar, sua origem está na escola, que tem a responsabilidade de proteger os estudantes, conforme previsto na Lei do Bullying (Lei 13.185/2015)."
Os casos de cyberbullying ocorrem principalmente em redes sociais e grupos de WhatsApp, onde os estudantes mantêm contato mesmo fora da escola. Na maioria das situações, envolvem ofensas, disseminação de fake news e manipulação de imagens com o intuito de humilhar ou expor negativamente a vítima.
O bullying e o cyberbullying são considerados um problema de violência nacional e foram tema de pesquisa no Anuário de Segurança Pública 2023 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), um em cada três estudantes já passou por situações de bullying na escola.
Ana Paula ressalta que o combate ao bullying e ao cyberbullying deve ser uma ação contínua nas escolas, incluindo medidas preventivas, intervenções quando casos são identificados e o estabelecimento de uma cultura de paz.
"Não basta realizar uma palestra por ano e acreditar que o problema está resolvido. A lei exige medidas contínuas, como um plano de combate ao bullying e cyberbullying bem estruturado. Esse planejamento é fundamental para proteger os estudantes, preservar a imagem e a reputação da escola e fornecer suporte aos diretores e gestores escolares, que podem ser responsabilizados judicialmente por casos registrados nas instituições", completa a advogada Ana Paula Siqueira.
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