Diário de São Paulo
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Pastor ligado a prefeito tiktoker mantinha contabilidade de propina e é apontado como operador de esquema na Saúde, diz PF

Anotações encontradas com concunhado de Rodrigo Manga reforçam suspeita de esquema milionário na Saúde de Sorocaba

Josivaldo Batista, cunhado do prefeito afastado Rodrigo Manga, e Marco Mott, amigo de infância do gestor, são investigados por movimentações suspeitas - Imagem: Divulgação / cruzadademilagres / Reprodução / youtube - poder360
Josivaldo Batista, cunhado do prefeito afastado Rodrigo Manga, e Marco Mott, amigo de infância do gestor, são investigados por movimentações suspeitas - Imagem: Divulgação / cruzadademilagres / Reprodução / youtube - poder360

por Marina Milani

Publicado em 12/11/2025, às 18h42


A segunda fase da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (7), levou à prisão do bispo Josivaldo Batista, cunhado do prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), e de Marco Mott, amigo de infância do gestor. Ambos são suspeitos de integrar um esquema de corrupção na área da Saúde de Sorocaba, que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em contratos públicos.

De acordo com a PF, Josivaldo mantinha uma “contabilidade paralela” usada para registrar e controlar pagamentos de propina ligados a licitações fraudulentas. O material foi encontrado com ele e sua esposa, Simone Rodrigues Frates de Souza, irmã de Sirlange Frates Maganhato, esposa de Manga — o que faz de Josivaldo concunhado do prefeito.

A PF classifica os registros como uma “prova material robusta” do esquema. Durante a primeira fase da operação, em abril, os agentes já haviam apreendido mais de R$ 700 mil em espécie em endereços ligados ao casal.

Ex-bispo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Josivaldo Batista hoje é líder da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, instituição religiosa com sedes no Brás e em Santo Amaro, na capital paulista. O pastor se apresenta nas redes sociais como “servo de Deus” e “fundador do Templo da Glória e Renovo”, denominação que, segundo investigações, também estaria ligada à Cruzada.

Em seu perfil no Instagram — com quase 90 mil seguidores e mais de 10 mil publicações —, Josivaldo continua fazendo postagens mesmo após a prisão. Um dia antes da operação, publicou uma mensagem sobre “mentiras que serão esclarecidas por Deus no tempo certo”.

A operação também prendeu Marco Mott, empresário sorocabano e amigo de infância de Manga. Segundo a PF, ele atuava como lobista e operador financeiro do prefeito e da primeira-dama, lavando milhões de reais em recursos públicos desviados da Saúde. Foram identificados depósitos em dinheiro vivo e mais de R$ 6 milhões em contas pessoais e empresariais de Mott, sem origem comprovada.

Ambos estão presos preventivamente por suspeita de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. O prefeito Rodrigo Manga, conhecido nas redes sociais por seu estilo midiático e vídeos de tom religioso, foi afastado do cargo por decisão judicial e é investigado por supostamente autorizar e se beneficiar do esquema.

Em nota, a defesa de Mott classificou a prisão como “baseada em conjecturas e suposições”, afirmando que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades”. Já os advogados de Josivaldo Batista alegaram que os fatos são antigos e que “não há justificativa plausível para a prisão preventiva”.

A Operação Copia e Cola apura a existência de um consórcio público criado para mascarar desvios e fraudes em contratos de saúde em várias cidades paulistas. Somadas, as irregularidades investigadas podem ultrapassar R$ 200 milhões.


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