A segunda fase da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (7), levou à prisão do bispo Josivaldo Batista, cunhado do prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), e de Marco Mott, amigo de infância do gestor. Ambos são suspeitos de integrar um esquema de corrupção na área da Saúde de Sorocaba, que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em contratos públicos.
De acordo com a PF, Josivaldo mantinha uma “contabilidade paralela” usada para registrar e controlar pagamentos de propina ligados a licitações fraudulentas. O material foi encontrado com ele e sua esposa, Simone Rodrigues Frates de Souza, irmã de Sirlange Frates Maganhato, esposa de Manga — o que faz de Josivaldo concunhado do prefeito.
A PF classifica os registros como uma “prova material robusta” do esquema. Durante a primeira fase da operação, em abril, os agentes já haviam apreendido mais de R$ 700 mil em espécie em endereços ligados ao casal.
Ex-bispo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Josivaldo Batista hoje é líder da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, instituição religiosa com sedes no Brás e em Santo Amaro, na capital paulista. O pastor se apresenta nas redes sociais como “servo de Deus” e “fundador do Templo da Glória e Renovo”, denominação que, segundo investigações, também estaria ligada à Cruzada.
Em seu perfil no Instagram — com quase 90 mil seguidores e mais de 10 mil publicações —, Josivaldo continua fazendo postagens mesmo após a prisão. Um dia antes da operação, publicou uma mensagem sobre “mentiras que serão esclarecidas por Deus no tempo certo”.
A operação também prendeu Marco Mott, empresário sorocabano e amigo de infância de Manga. Segundo a PF, ele atuava como lobista e operador financeiro do prefeito e da primeira-dama, lavando milhões de reais em recursos públicos desviados da Saúde. Foram identificados depósitos em dinheiro vivo e mais de R$ 6 milhões em contas pessoais e empresariais de Mott, sem origem comprovada.
Ambos estão presos preventivamente por suspeita de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. O prefeito Rodrigo Manga, conhecido nas redes sociais por seu estilo midiático e vídeos de tom religioso, foi afastado do cargo por decisão judicial e é investigado por supostamente autorizar e se beneficiar do esquema.
Em nota, a defesa de Mott classificou a prisão como “baseada em conjecturas e suposições”, afirmando que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades”. Já os advogados de Josivaldo Batista alegaram que os fatos são antigos e que “não há justificativa plausível para a prisão preventiva”.
A Operação Copia e Cola apura a existência de um consórcio público criado para mascarar desvios e fraudes em contratos de saúde em várias cidades paulistas. Somadas, as irregularidades investigadas podem ultrapassar R$ 200 milhões.