Uma mulher, de 29 anos, que perdeu quase R$ 2 mil em um golpe aplicado pela internet, conhecido como 'Don Juan', afirma que não teve como duvidar que estava

Redação Publicado em 11/08/2017, às 00h00 - Atualizado às 08h46

Suspeito dizia que tinha mandado dinheiro também no pacote (Foto: Arquivo Pessoal)
Uma mulher, de 29 anos, que perdeu quase R$ 2 mil em um golpe aplicado pela internet, conhecido como ‘Don Juan’, afirma que não teve como duvidar que estava caindo em um golpe que vem fazendo várias vítimas em todo o país. Ela, que é de Araçatuba (SP), registrou um boletim de ocorrência relatando o caso e a polícia vai investigar.
“Não tem como duvidar, depois que você cai no golpe você vê que era perfeito. Ele dizia que trabalhava como engenheiro, e trabalhava em navios. Dizia que era filho único, mandava foto da mãe, do que estava fazendo, até na missa. Tudo um perfil falso e dizia que morava em Nova York, falava até o nome da empresa que trabalhava”, afirma a mulher em entrevista ao G1, que não quis se identificar.
Segundo a mulher, o relacionamento virtual começou há dois meses por uma rede social. Após vários contatos, eles começaram a conversar apenas por WhatsApp. O suspeito dizia estar sempre viajando e, em uma das conversas, disse que iria para a Venezuela a trabalho e depois iria visitá-la no Brasil.
Já na Venezuela, o suspeito disse que como iria trabalhar em um navio, iria enviar os pertences que estava com ele para ela por uma empresa de transporte internacional. Na suposta encomenda estava notebook, dinheiro, documentos pessoais e até joias que ele teria comprado para ela.

Suspeito chegou até mandar fotos de joias que dizia ter comprado para ela (Foto: Arquivo Pessoal)
“Ele dizia que confiava muito em mim. Me mandou até o número de rastreamento da encomenda, tinha até o peso do pacote. Você entrava no site da empresa e aparecia tudo certo, com nome dele, para onde iria. Disse que não iria levar tudo para o mar porque tinha receio”, afirma.
Depois de enviar a suposta encomenda, o suspeito disse à vítima para entrar em contato com a empresa. A vítima disse à polícia que foi convencida por uma mulher da empresa, que seria cúmplice do golpista, a depositar o dinheiro para liberar o pacote, que tinha ficado retido na alfândega. A mulher fez três depósitos, que somados deram R$ 1.750.
“Quando o pacote cai na alfândega tem de pagar mesmo o imposto, mas como era empresa terceirizada, internacional, uma moça entrou em contato comigo falando que parou na alfândega e tinha de fazer pagamento porque tinha excesso de coisas e tinha dinheiro dentro”, afirma.
A mulher só descobriu que se tratava de um golpe quando foi orientada pela mulher a fazer um novo pagamento, desta vez, de mais de R$ 4 mil. Ela não fez este último depósito e acionou a polícia.
“Ela ligou falando como tinha muito dinheiro tinha de pagar outra taxa para esse pacote chegar seguro. Se não pagasse, eu estaria fazendo lavagem de dinheiro. Foi aí que disse que não iria pagar”, afirma.
A mulher então acionou a polícia e, ao pesquisar sobre o golpe, viu que várias mulheres no país também são vítimas desse tipo de crime. “Vi uma reportagem na televisão e descobri que tem esse golpe. Converso com oito mulheres que caíram no golpe e uma delas perdeu R$ 9 mil. Agora é tomar cuidado nas redes sociais. Peguei de lição, que príncipe encantado não existe”, afirma.

Suspeito dizia que tinha comprado presentes para ela (Foto: Arquivo Pessoal)
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