A esposa foi condenada a 15 anos de prisão e indenizações pela morte do parceiro

Mateus Omena Publicado em 12/12/2022, às 12h22
Uma mulher foi pega por cometer um crime, após ter dado a uma vizinha uma caixa misteriosa e pedido a ela que a guardasse. O caso aconteceu em Santander, na Espanha.
Carmen Merino, de 64 anos, contou à vizinha que dentro da caixa havia vários brinquedos sexuais. Ela alegou que ajuda evitaria o constrangimento quando a polícia fizesse alguma busca na sua casa. Mesmo assim, a mulher ficou desconfiada do pedido.
O bancário Jesús María Baranda, de 67 anos, o marido de Carmen, estava desaparecido havia seis meses.
A vizinha da suspeita recebeu a caixa, mas percebeu que ela estava cheirando mal. Após dias com o cheiro se espalhando por sua casa, a mulher decidiu abri-la. Dentro, não havia artefatos sexuais, mas a cabeça de Jesús María.
Na última sexta-feira (9), o Tribunal Regional da Cantábria anunciou que Carmen Merino foi condenada a 15 anos de prisão pelo assassinato do marido, ocorrido em fevereiro de 2019. O Ministério Público pediu 25 anos de detenção.
De acordo com a rádio Cope, Carmen e Jesús María estavam juntos havia sete anos. A vítima tinha filhos de outro casamento.
A mulher também foi condenada a pagar 18 mil euros (cerca de R$ 99 mil) ao irmão da vítima e 20 mil euros (aproximadamente R$ 110 mil) a cada um dos filhos do marido.
Para o júri, Carmen agiu "com a intenção de aproveitar financeiramente os bens e dinheiro do companheiro, tendo sido nomeada por este como única herdeira no seu testamento". A mulher ocultou o resto do corpo do marido.
"Ela se livrou do cadáver e deu o crânio para a amiga, fazendo-a acreditar que a caixa continha brinquedos sexuais, sabendo que a denúncia dos parentes do companheiro acabaria em investigação policial que provavelmente levaria a uma busca em sua casa", declarou o juiz responsável pelo caso.
Segundo o magistrado, Carmen não deu "uma explicação razoável" para refutar as provas incriminatórias, e que isso corrobora com as teses acusatórias.
Ele também apontou que, embora a defesa sustente que não foi possível determinar a causa da morte, é "lógico" que, se fosse natural ou acidental, a acusada teria chamado os serviços de emergência e não o teria decapitado.
"Resta a morte homicida, que é a única que pode levar a livrar-se do cadáver, guardando um resto para poder provar a morte da vítima em um curto período de tempo", acrescenta.
A investigação também descobriu que Carmen realizou 25 saques de 600 euros entre março e setembro de 2019 com o cartão de Jesús, quando ele já estava desaparecido. Os valores foram encontrados em uma mala na casa do casal.
O processo encontrou no histórico de um dos computadores do casal as seguintes perguntas: "quanto tempo leva para um corpo se decompor?" e "se meu marido desaparecer, continuo recebendo a pensão?". Também foram realizadas online compras de ferramentas em uma loja de ferragens e uma motosserra em uma loja de eletrônicos.
"A ré disse no julgamento que esses bens foram comprados por ele, mas acontece que todos eles foram pagos com o cartão usado pela ré. A motosserra foi comprada pela ré online de um de seus computadores pessoais e de sua própria conta, e quem pegou a motosserra, quando foi entregue, também era a ré", finaliza a sentença.
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