Família venezuelana é assassinada e região registra 14 mortes violentas em uma semana

Marina Roveda Publicado em 07/05/2023, às 11h22
A região da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, vive um cenário de violência extrema, com o registro de 14 mortes violentas em apenas uma semana. Entre as vítimas, está a venezuelana Jenni Rangel, de 28 anos, que foi encontrada morta com sinais de violência sexual em uma região de garimpo ilegal. Ela era a terceira da família a ser assassinada no território: o marido, Joel Perdomo, de 68 anos, e o enteado, Johandri Perdomo, de 24 anos, também foram mortos.
De acordo com relatos de familiares, Joel era um professor que deixou a Venezuelacom a esposa e o filho para fugir da crise financeira no país. A família trabalhava em um garimpo na Terra Yanomami há dois anos, juntamente com cerca de 15 garimpeiros. Roraima não possui garimpo legalizado, e a atividade garimpeira é um dos principais fatores para a emergência sanitária enfrentada pelos indígenas Yanomami.
Após a remoção do corpo de Jenni pela Polícia Federal e bombeiros, seu cunhado, Iver Perdomo - irmão de Joel e tio de Johandri - concedeu entrevista ao g1. Ele lamentou a morte da família e pediu por justiça: "Meu irmão era um profissional, um professor. Saiu da Venezuelae agora está morto. Tudo isso é muito triste. Algo deveria ser feito, alguém tem que ser punido, isso não pode acontecer."
Iver, que vive na Venezuela, viajou para Roraima após saber que oito garimpeiros haviam sido mortos na Terra Yanomami, suspeitando que seu irmão pudesse estar entre as vítimas. Agora, ele aguarda o fim do trabalho de identificação formal no Instituto Médico Legal (IML)para levar os corpos da cunhada, irmão e sobrinho de volta para a Venezuela, onde serão sepultados.
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