Avó materna recorreu à Justiça após pai, preso na sexta-feira (2), negar visitas e se isolar

Marina Roveda Publicado em 04/06/2023, às 09h44
O guarda civil municipal de Rio Claro (SP), Igor Rafael, que esteve envolvido no resgate da menina de 3 anos desidratada e desnutrida na sexta-feira (2), concedeu uma entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, revelando que essa foi uma das ocorrências mais desafiadoras em seus 15 anos de carreira. (Assista à entrevista do guarda no vídeo abaixo).
De acordo com o relato do guarda, o pai da criança, que acabou sendo preso, afirmou que ele e a menina não se alimentavam há 40 dias.
"Em 15 anos de trabalho nas ruas, nunca havia me deparado com uma ocorrência desse tipo. Já enfrentei diversos incidentes envolvendo crianças, mas nunca em uma situação como essa", lamentou o guarda.
Familiares e a avó materna estavam impossibilitados de fazer contato com o pai para visitar a menina, que residia em um condomínio no Jardim Portugal. Além disso, o pai excluiu suas redes sociais e se isolou, o que gerou preocupação. O Ministério Público entrou com uma ação e a Justiça emitiu um mandado autorizando a visita.
Os oficiais de justiça tentaram realizar a primeira visita na quinta-feira (1º), porém o homem não permitiu a entrada. No dia seguinte, eles retornaram acompanhados da Guarda Civil e do Conselho Tutelar. "Ele cooperou com o oficial, resistindo minimamente, mas não foi necessário usar força física", afirmou o guarda.
O guarda relatou que as condições no local eram extremamente precárias e a criança foi encontrada em estado de debilitação devido à desnutrição. Ela não chorava, não conseguia falar e pesava apenas 8 quilos.
"A situação era insalubre e extremamente complicada. A criança estava deitada em um colchãozinho sujo de fraldas no chão da sala. Era a pior situação possível. Ela estava imóvel, sem reação devido ao estado avançado de desnutrição", disse.
Quando questionado sobre o motivo daquela situação, o pai afirmou: "Ele disse que havia parado de se alimentar e que não iria mais alimentar a criança porque desejava que ambos morressem juntos. Segundo ele, há 40 dias não havia qualquer tipo de alimentação na residência", relatou Rafael.
O pai foi preso em flagrante e a criança recebeu os devidos cuidados médicos e assistenciais. Ela encontra-se em estado estável e sob proteção dos órgãosresponsáveis. O caso está sendo investigado pelas autoridades competentes para apurar todos os detalhes e garantir a proteçãoda criança.
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