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Guerra no Rio

Megaoperação no Rio deixa 119 mortos

Moradores retiram vítimas da mata e polícia justifica ação

A Operação Contenção resultou em 119 mortes, incluindo 115 civis e 4 policiais, gerando críticas e preocupações sobre a segurança pública - Imagem: Reprodução/Agência Brasil
A Operação Contenção resultou em 119 mortes, incluindo 115 civis e 4 policiais, gerando críticas e preocupações sobre a segurança pública - Imagem: Reprodução/Agência Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 29/10/2025, às 15h02


A Operação Contenção, executada na última terça-feira (28) pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, culminou em 119 mortes, sendo 115 civis e quatro policiais. A atualização foi fornecida pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, durante uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (29).

As autoridades de segurança pública alertam que o número de fatalidades pode crescer, afirmando que os indivíduos mortos reagiram com violência durante a operação, enquanto aqueles que se renderam foram detidos.

No total, foram realizadas 113 prisões, das quais 33 envolviam indivíduos oriundos de outros estados atuando no Rio de Janeiro. Adicionalmente, dez adolescentes foram encaminhados a unidades socioeducativas.

"A polícia não entra atirando; entra recebendo tiros", declarou Curi ao ser questionado sobre a expectativa de mortes. "A operação foi meticulosamente planejada. O resultado não foi determinado pela polícia, mas sim pelos próprios envolvidos", acrescentou.

Para o secretário, a ação não deve ser classificada como uma chacina — termo utilizado por movimentos sociais e defensores dos direitos humanos para descrever o ocorrido, que se configurou como a mais letal da história do estado.

"Chacina refere-se a mortes ilegais. O que realizamos foi uma ação legítima do estado para cumprir mandados de apreensão e prisão", enfatizou Curi.

A operação enfrentou severas críticas de especialistas, moradores e organizações nacionais e internacionais. Ativistas descreveram a ação como um "massacre", enquanto especialistas em segurança apontaram os riscos à população durante os intensos tiroteios.

Com um contingente de 2.500 policiais, a Operação Contenção se tornou a maior ação policial no estado nos últimos 15 anos. Os confrontos entre policiais e criminosos geraram pânico na cidade, levando ao fechamento de principais vias, escolas e estabelecimentos comerciais.

Curi informou que as pessoas falecidas estão sendo oficialmente consideradas como criminosas envolvidas em tentativas de homicídio contra os policiais.

Objetivos da Operação

O principal objetivo da operação era conter o avanço do Comando Vermelho e executar 180 mandados de busca e apreensão, além de 100 mandados de prisão, dos quais 30 foram expedidos pelo estado do Pará, parceiro na ação.

"A operação representou um dos maiores golpes ao Comando Vermelho", afirmou Curi. "Houve perdas significativas em termos de armamento, drogas e lideranças criminosas", complementou.

As forças policiais apreenderam 118 armas, incluindo 91 fuzis, além de uma quantidade significativa de drogas ainda em avaliação.

Victor dos Santos, secretário de Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro, apresentou uma versão diferente sobre as vítimas da operação. Ele mencionou que apenas oito feridos foram contabilizados: quatro inocentes com lesões leves e quatro policiais que perderam a vida durante os confrontos.

Na visão do secretário, os mortos eram criminosos que escolheram não se render à polícia. "A alta letalidade observada era previsível, mas não desejada", afirmou.

A coletiva incluiu a exibição de imagens da operação. Segundo as autoridades, a ação foi realizada conforme o planejamento prévio e as normas legais vigentes foram respeitadas, incluindo o uso obrigatório de câmeras corporais. O confronto foi deslocado para uma área florestal para minimizar os riscos à população local.

Sobre as câmeras utilizadas pelos agentes, as autoridades informaram que algumas podem ter ficado sem bateria devido à extensão da operação, resultando na falta de registros completos das ações realizadas.

Retirada dos Corpos

No início da manhã seguinte à operação, membros da comunidade e familiares se reuniram para retirar os corpos encontrados na mata e os levaram até uma praça no Complexo da Penha.

Quando questionado sobre a razão pela qual a polícia não retirou esses corpos ou prestou socorro às vítimas, o secretário Victor dos Santos afirmou que os agentes não tinham conhecimento da presença desses corpos.

"Todos aqueles que foram retirados na madrugada ou manhã eram criminosos desconhecidos pela polícia", disse ele. "Muitos estavam feridos e buscavam ajuda na mata".

Quanto à possibilidade do aumento do número total de fatalidades, Santos admitiu que ainda há chances disso ocorrer: "Ainda não temos um número consolidado; é possível que haja acréscimos".


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