Diário de São Paulo
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Violência contra a mulher

Justiça nega pedido de insanidade mental em caso de tentativa de feminicídio contra Samira Khouri

Decisão da Justiça paulista aponta ausência de provas concretas para abertura de incidente de insanidade mental.

Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Redação Publicado em 25/05/2026, às 16h14


A Justiça de São Paulo negou o pedido da defesa de Pedro Camilo Garcia Castro para instauração de incidente de insanidade mental no processo em que ele responde por tentativa de feminicídio contra Samira Khouri. A decisão foi proferida pela 4ª Vara do Júri da Capital e considerou que não há elementos concretos que indiquem incapacidade do acusado de compreender seus atos no momento do crime. 

No pedido, a defesa alegava que a instrução criminal teria revelado um suposto comprometimento psíquico do réu, relacionado ao uso abusivo de medicamentos controlados, anabolizantes e ao desenvolvimento de transtorno alimentar severo, incluindo bulimia nervosa. O Ministério Público se manifestou contra a solicitação. 

Ao analisar o caso, a juíza Luiza Torggler Silva destacou que o artigo 149 do Código de Processo Penal exige a existência de “dúvida fundada e razoável” sobre a higidez mental do acusado para justificar a abertura do incidente. Segundo a magistrada, a mera alegação da defesa, desacompanhada de provas robustas, não é suficiente para suspender o andamento do processo. 

A decisão também afirma que o uso de substâncias controladas ou alterações comportamentais não configuram automaticamente inimputabilidade penal. O texto menciona entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça de São Paulo no sentido de que cabe ao magistrado avaliar, caso a caso, se há indícios reais de comprometimento mental. 

Durante o interrogatório, segundo a juíza, Pedro Camilo apresentou “clareza”, “coerência” e respondeu de forma articulada às perguntas formuladas em audiência, o que reforçou o entendimento de que não havia elementos para justificar a perícia psiquiátrica requerida pela defesa. 

Em nota pública divulgada após a decisão, a advogada Gabriela Manssur, representante de Samira Khouri, afirmou que recebeu a determinação judicial “com respeito e confiança”. A defesa da vítima sustentou que o uso de anabolizantes, medicamentos controlados ou eventuais alterações comportamentais não podem servir como justificativa automática para afastar a responsabilidade penal em crimes graves praticados contra mulheres. 

A nota também critica o que classifica como uma “banalização” de teses defensivas voltadas à relativização da violência masculina. Segundo o posicionamento divulgado pela defesa de Samira, “a violência praticada contra Samira não pode ser minimizada, romantizada ou medicalizada como estratégia para reduzir a gravidade dos fatos”. 

O caso segue em tramitação na Justiça paulista. Com o encerramento da instrução processual, a magistrada determinou a abertura de prazo para alegações finais do Ministério Público e da defesa antes das próximas etapas do processo.


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