Depoimento aponta que mesma fonte revelou esquema de vazamento policial e plano de atentado contra autoridades

por Marina Milani
Publicado em 21/04/2026, às 11h17
Um integrante do Primeiro Comando da Capital que denunciou o envolvimento de policiais militares da Rota com a facção também foi responsável por revelar um plano para assassinar o senador Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakyia. A informação consta em depoimento prestado pelo próprio Gakyia à Corregedoria da Polícia Militar.
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, Gakyia relatou que recebeu as informações de uma testemunha protegida ligada à facção, que já havia colaborado com investigações anteriores.
Segundo o promotor, o mesmo informante foi responsável por apontar, ainda em 2021, um suposto esquema de vazamento de informações dentro do setor de inteligência da Rota, o que teria beneficiado lideranças do PCC. À época, o caso foi levado ao então comandante da corporação, José Augusto Coutinho, mas, conforme o depoimento, não há registro de providências adotadas.
Já em 2023, a testemunha voltou a procurar as autoridades para relatar um novo plano da facção, desta vez com foco em atentados contra Gakyia e o senador Sergio Moro. De acordo com o relato, a articulação estaria sob responsabilidade de um integrante da chamada “sintonia restrita” do PCC, núcleo considerado estratégico dentro da organização.
As informações serviram de base para a deflagração da Operação Sequaz, realizada pela Polícia Federal, que resultou na prisão de suspeitos apontados como envolvidos no planejamento dos ataques.
O depoimento também menciona suspeitas de pagamento de valores a policiais militares, que estariam sendo utilizados para facilitar ações da facção e proteger seus integrantes. As investigações seguem sob responsabilidade da Corregedoria da PM e de órgãos do Ministério Público.
O caso ganhou novos desdobramentos após a citação do nome de José Augusto Coutinho em um inquérito policial militar, o que levou à sua saída do comando da corporação. A Secretaria da Segurança Pública informou que não comenta investigações em andamento.
As apurações continuam e envolvem tanto a atuação da facção criminosa quanto possíveis conexões com agentes públicos, além de planos que, segundo os investigadores, tinham como alvo autoridades do sistema de Justiça e da política nacional.
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