Justiça aponta produção de conteúdo pornográfico, ambiente de risco e exploração da vulnerabilidade das vítimas; defesa afirma que vai recorrer

Letícia Sales Publicado em 23/02/2026, às 09h11
A Justiça da Paraíba condenou o influenciador digital Hytalo Santos e o marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. A sentença foi proferida pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Grande João Pessoa, e tornou-se pública neste domingo (22).
Hytalo recebeu pena de 11 anos e 4 meses de prisão. Já Israel Vicente foi condenado a 8 anos e 10 meses. Além das penas privativas de liberdade, a decisão fixa indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil e o pagamento de 360 dias-multa para cada um, calculados com base em um trinta avos do salário mínimo vigente.
Na sentença, o magistrado descreve que os adolescentes foram inseridos em um ambiente artificial e controlado, comparado a um “reality show”, no qual eram expostos a situações consideradas de risco extremo. Segundo o juiz, havia permissividade no local, inclusive com fornecimento de bebidas alcoólicas, além de negligência quanto à alimentação e à frequência escolar.
Para o magistrado, os crimes foram praticados mediante exploração da vulnerabilidade das vítimas, que não teriam condições de compreender plenamente ou resistir às práticas ilícitas.
A prisão preventiva dos réus foi mantida. De acordo com o juiz, permanecem inalterados os fundamentos que justificaram a medida cautelar, e o regime fechado é incompatível com a concessão de liberdade provisória.
A defesa informou que vai recorrer da decisão. Em nota, os advogados afirmaram que, durante a instrução processual, apresentaram argumentos que afastariam a tese da acusação e declararam confiança nas instâncias superiores para reverter a condenação.
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em São Paulo em 15 de agosto do ano passado e transferidos posteriormente para o Presídio do Róger, em João Pessoa, onde permanecem detidos preventivamente desde o fim daquele mês.
Paralelamente, o Tribunal de Justiça da Paraíba analisa um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, cujo julgamento deve ser retomado nesta terça-feira (24). O casal também responde a outro processo, no qual é acusado de tráfico de pessoas para exploração sexual e de submeter vítimas a condições análogas à escravidão.
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