Justiça acatou pedido do MPSP e transferiu o caso para o Tribunal do Júri; laudo apontou consumo de álcool e drogas antes da batida

Lívia Gennari Publicado em 01/10/2025, às 15h30
A Justiça de São Paulo alterou a acusação contra o influenciador Samuel Sant’anna, conhecido como Gato Preto, de lesão corporal para tentativa de homicídio, mediante dolo eventual, na condução de veículo automotor. A decisão foi divulgada na última terça-feira (30) e atende a um pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
De acordo com o MPSP, o inquérito agora é acompanhado pela Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, unidade responsável por crimes contra a vida. Até então, a investigação tramitava na Vara Criminal, mas foi transferida na terça (30).
O acidente
O caso está relacionado ao acidente ocorrido em 20 de agosto, quando o influenciador dirigia uma Porsche conversível pela Avenida Faria Lima, na Zona Oeste da capital, e colidiu com outro veículo.
Câmeras de segurança registraram o momento em que o Porsche dirigido por Gato Preto avançou o sinal vermelho em alta velocidade e colidiu violentamente com um Hyundai Creta que cruzava a Rua Elvira Ferra. Após a batida, o carro de luxo ainda atingiu um poste de semáforo.
No Porsche estavam Gato Preto e a influenciadora Bia Miranda. No outro veículo, o filho do motorista sofreu fratura no maxilar ao bater a cabeça no airbag e precisou ser socorrido.
De acordo com laudo toxicológico do Instituto Médico Legal (IML), Gato Preto havia consumido álcool, MDMA (ecstasy) e maconha antes da colisão. Segundo a promotora Ana Paola Ferrari Ambra, o influenciador ultrapassou o farol vermelho em alta velocidade sob efeito de álcool e substâncias ilícitas, assumindo o risco de matar.
Prisão
Após o acidente, Gato Preto deixou o local sem esperar a chegada da polícia. Ele foi localizado horas depois em seu apartamento, no bairro do Tremembé, Zona Norte.
De acordo com a Polícia Militar, ao ser abordado em seu apartamento, ele estava nu e acompanhado de duas mulheres. Por ter fugido do local da colisão, os agentes consideraram que ele se encontrava em flagrante delito e precisava ser conduzido à delegacia.
Gato Preto afirmou que deixou o local do acidente porque estava sendo filmado por várias pessoas. Ele se vestiu, não ofereceu resistência e foi preso.
O caso foi inicialmente registrado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, fuga do local do acidente, embriaguez ao volante e apreensão de veículo. Com a decisão judicial mais recente, passa a ser tratado como tentativa de homicídio.
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