Francisco das Chagas Fontenele, de 56 anos, foi baleado quando saía para trabalhar no Capão Redondo; sete pessoas foram atingidas e duas morreram durante a ocorrência.

Redação Publicado em 16/03/2026, às 10h48
A morte do pedreiro Francisco das Chagas Fontenele, atingido por um tiro de fuzil durante uma ação policial em um baile funk em São Paulo, gerou indignação familiar e uma investigação sobre a atuação da Polícia Militar no incidente.
Familiares contestam a versão policial, que afirma que Francisco foi atingido durante um confronto com criminosos, e alegam que ele não tinha relação com o evento; vídeos mostram a demora no socorro após o ferimento.
O caso foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial e está sendo investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, além de um Inquérito Policial Militar ter sido instaurado para apurar a conduta dos policiais envolvidos.
A morte do pedreiro Francisco das Chagas Fontenele, de 56 anos, durante uma ação da Polícia Militar em um baile funk no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, gerou revolta entre familiares e abriu uma investigação sobre a atuação dos agentes no local.
Segundo parentes da vítima, o trabalhador foi atingido por um tiro de fuzil na região do abdômen na manhã de sábado (15), quando saía de casa para trabalhar, nas proximidades de um pancadão no Jardim Macedônia.
A família acusa a Polícia Militar de ser responsável pelo disparo que matou o pedreiro.
De acordo com os policiais envolvidos na ocorrência, a equipe foi alvo de disparos feitos por criminosos presentes no baile e reagiu ao ataque. Durante o confronto, sete pessoas foram baleadas, e duas morreram.
Entre os mortos está o pedreiro Francisco e também Kauan Gabriel Cavalcante Lima, de 22 anos, que, segundo a versão da polícia, seria um dos suspeitos de atirar contra os agentes.
Filhos de Francisco contestam a versão policial e afirmam que o trabalhador não tinha qualquer relação com o evento.
“Eu quero uma resposta do que aconteceu com meu pai. Eu quero o nome dele limpo e quero saber quem foi o policial que matou meu pai”, disse Millena dos Santos Fontenele, filha da vítima, durante o velório.
Segundo familiares, vídeos gravados no local mostram o momento em que o pedreiro estava ferido e cercado por policiais militares. Os parentes também reclamam de demora no socorro.
Nas imagens registradas por familiares, policiais aparecem inicialmente impedindo que a vítima seja levada ao hospital. Posteriormente, os próprios agentes ajudam a colocá-la em uma viatura.
Francisco chegou a ser encaminhado a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
O pedreiro havia se casado há cerca de seis meses e deixa quatro filhos, esposa e duas netas. Ele será enterrado nesta segunda-feira (16) no Cemitério Jardim da Paz, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
Durante o velório, parentes e amigos usaram camisetas do São Paulo Futebol Clube, time para o qual o trabalhador torcia.
Além das duas mortes, outras quatro pessoas ficaram feridas durante o tiroteio. Entre elas está uma jovem de 23 anos que estava na garupa de uma motocicleta conduzida por Kauan.
Segundo a Polícia Militar, o jovem estava em um veículo com placa adulterada e teria sido o primeiro a disparar contra os agentes. Um revólver calibre .32 atribuído a outro suspeito foi apreendido.
O caso foi registrado como resistência, homicídio decorrente de intervenção policial e tentativa de homicídio no 47º Distrito Policial (Capão Redondo).
Por envolver policiais militares, a investigação foi encaminhada ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
As autoridades também vão analisar as imagens das câmeras corporais usadas pelos PMs que participaram da ação.
Além disso, foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta dos agentes envolvidos na operação.
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