Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Belo Horizonte após suspeitas de associação criminosa e prejuízo milionário a milhares de consumidores

Marina Milani Publicado em 02/02/2024, às 07h57
O Ministério Público de Minas Gerais, em conjunto com a Polícia Civil, desencadeou nesta quinta-feira (1º) a Operação Mapa de Milhas, com a execução de 17 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas físicas e jurídicas vinculadas a um grupo econômico que inclui a empresa 123milhas. A ação tem como foco investigar crimes de estelionato e lavagem de dinheiro, que teriam resultado em prejuízos significativos para consumidores em todo o país.
Durante a operação, documentos, mídias, computadores e notebooks foram apreendidos em busca de evidências que serão analisadas pelos investigadores. Os promotores trabalham com a hipótese de associação criminosa para a prática de estelionato, um crime que teria causado prejuízos milionários a milhares de pessoas.
O promotor de Justiça Rodrigo Storino explicou que a investigação também se debruçará sobre práticas de lavagem de dinheiro, envolvendo estratégias financeiras e corporativas complexas. Movimentações imobiliárias em nome de terceiros, não formalmente ligados ao grupo, e transferências financeiras suspeitas estão entre os pontos de interesse dos investigadores.
A operação contou com a participação de oito promotores de Justiça, cinco delegados da Polícia Civil, 53 investigadores, um policial militar e cinco servidores do Ministério Público. A ação é liderada pela 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor da Capital, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Central) e do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet).
Além das medidas criminais, o Ministério Público de Minas Gerais ajuizou ações civis públicas para tutelar coletivamente os consumidores lesados. Foram deferidos pedidos de bloqueio judicial de bens e valores das empresas e sócios envolvidos no grupo econômico.
Em agosto do ano passado, a 123milhas suspendeu a emissão de passagens para embarque entre setembro e dezembro, afetando os bilhetes da Linha Promo, modalidade que oferecia datas flexíveis aos clientes. Em depoimento à CPI das Pirâmides Financeiras na Câmara dos Deputados, o sócio da 123milhas, Ramiro Madureira, atribuiu a falência da empresa a um modelo de negócio equivocado, que não se ajustou à retomada do mercado de viagens após a pandemia.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias que levaram a empresa a adotar essa medida e identificar se há responsabilidades criminais associadas ao seu funcionamento.
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