Confissão de homicídio não foi enviada à Justiça, e suspeito acabou solto após audiência de custódia

Gabriela Nogueira Publicado em 07/12/2025, às 08h02
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo apura a conduta do delegado André Bertin, responsável por liberar o estudante de Direito Maurício Roschel Gonçalves Garcia, de 28 anos, durante uma audiência de custódia realizada após sua prisão em flagrante por roubo no dia 20 de novembro. A decisão permitiu que ele permanecesse em liberdade por dois dias, mesmo tendo confessado horas antes que havia matado e incinerado o corpo da própria mãe.
Maurício foi detido pela Polícia Militar após assaltar um posto de combustíveis em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Ele utilizava um Onix branco registrado em nome de sua mãe, Eliana Augusta Roschel Gonçalves, de 61 anos. Segundo funcionários do estabelecimento, o jovem anunciou o assalto sob ameaça e fugiu levando dinheiro.
Assim que chegou ao 101º Distrito Policial, no Jardim das Imbuias, ele admitiu à equipe que havia matado Eliana dias antes. O corpo da vítima, encontrado carbonizado em 12 de novembro, apresentava sinais de esquartejamento e mutilação. Naquele momento, ainda não havia sido identificado.
Apesar da gravidade da confissão, o delegado Bertin registrou apenas o crime de roubo no boletim de ocorrência enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Não houve menção ao homicídio, à localização do corpo ou ao fato de que o carro utilizado no assalto pertencia à vítima. Por falta dessas informações, a Justiça autorizou a libertação cautelar do estudante.
Enquanto isso, familiares de Eliana encontraram manchas de sangue na casa dela e procuraram a polícia. Com base nas novas informações, investigadores retornaram ao ponto indicado por Maurício e confirmaram que o local correspondia à área onde o corpo havia sido encontrado dias antes.
Foi então que o delegado Tarcisio Gabriel Pereira Júnior identificou a relação entre o roubo e o homicídio registrado anteriormente. Ele pediu a prisão temporária do estudante em 22 de novembro, e a Justiça autorizou o novo mandado. Maurício se apresentou e foi encaminhado ao sistema prisional após passar por exames no Instituto Médico Legal.
Em depoimento, o jovem disse ter matado a mãe após uma discussão enquanto estava sob efeito de drogas. Segundo ele, Eliana caiu, bateu a cabeça e morreu. Ele relatou que colocou o corpo no carro, dirigiu até uma área isolada e ateou fogo.
A Corregedoria investiga por que a confissão de homicídio não foi incluída no flagrante, o que impediu que o estudante permanecesse detido desde o primeiro registro. A apuração deve analisar documentos, ouvir testemunhas e verificar se houve falha, negligência ou omissão na condução do caso.
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