Polícia do Rio investiga esquema que teria levado criminosos ao conflito no leste europeu para aprender técnicas de combate e uso de aeronaves de alta capacidade

Redação Publicado em 26/05/2026, às 15h34 - Atualizado às 16h09
Uma investigação da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro revelou que integrantes do Comando Vermelho estão sendo enviados para a guerra entre Rússia e Ucrânia com a missão de adquirir conhecimentos militares e repassar as técnicas aprendidas aos demais membros da facção criminosa no Brasil.
De acordo com a Subsecretaria de Inteligência da pasta, o grupo tem financiado viagens internacionais de integrantes sem antecedentes criminais para evitar restrições migratórias e facilitar a saída do país. Pelo menos dois suspeitos já foram identificados pelas autoridades após participarem diretamente do conflito no leste europeu.
Segundo as apurações, os homens mantinham contato frequente com membros da facção no Rio de Janeiro enquanto ainda estavam na Ucrânia, compartilhando informações sobre estratégias de combate, logística militar e principalmente o uso de drones de grande porte.
O foco da organização criminosa seria o treinamento com drones agrícolas adaptados para fins militares. Os equipamentos, avaliados em cerca de R$ 200 mil, têm capacidade para transportar até 80 quilos — carga equivalente a aproximadamente 20 fuzis — além de alcance estimado em até 12 quilômetros. A tecnologia permitiria conectar áreas dominadas pela facção e ampliar o transporte de armamentos, drogas e outros materiais sem necessidade de deslocamento terrestre.
As investigações apontam que, após retornarem ao Brasil, os suspeitos passaram a ensinar as técnicas aprendidas a outros integrantes do grupo criminoso. A polícia já monitora treinamentos realizados em comunidades do Rio, incluindo áreas do Complexo do Alemão.
Em uma das ações acompanhadas pela inteligência, agentes flagraram suspeitos manuseando um dos drones durante um treinamento. A imagem foi posteriormente aprimorada com auxílio de inteligência artificial para auxiliar na identificação dos envolvidos.
O uso de drones pelo Comando Vermelho não é novidade para as forças de segurança. Em outubro do ano passado, durante uma megaoperação policial no Complexo da Penha, criminosos chegaram a utilizar drones para lançar explosivos contra equipes policiais na Zona Norte do Rio.
Considerado atualmente a maior facção criminosa do estado e uma das principais organizações do país, o Comando Vermelho tem ampliado o investimento em tecnologia e estratégias de atuação inspiradas em conflitos armados internacionais, cenário que passou a preocupar ainda mais as autoridades de segurança pública.
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