Investigação aponta que vítimas incluíam policiais, CACs e empresas do setor; esquema atuava pela internet e alcançou ao menos quatro estados

Lívia Gennari Publicado em 20/01/2026, às 15h11 - Atualizado às 17h17
Um casal foi preso na manhã desta terça-feira (20), suspeito de integrar um esquema de golpes virtuais envolvendo a falsa venda de armas de fogo e o repasse de dados pessoais das vítimas à facção pailista Primeiro Comando da Capital (PCC). As prisões ocorreram no Espírito Santo, durante uma operação conjunta das polícias civis dos dois estados.
O esquema
De acordo com a Polícia Civil, Homero Vieira de Almeida e Mayra dos Santos Silva atuavam como um braço da facção paulista e tinham como principais alvos policiais, colecionadores, atiradores esportivos (CACs) e empresas ligadas ao setor armamentista. Todo o golpe era executado pela internet, por meio de sites fraudulentos que simulavam lojas especializadas na venda de armas.
Segundo o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, os criminosos criavam páginas falsas com anúncios de armamentos de marcas conhecidas, sempre com valores abaixo do praticado no mercado para atrair compradores. Após o primeiro contato, as vítimas eram orientadas a enviar documentos pessoais e funcionais, sob a justificativa de concluir a negociação ou regularizar o registro da arma.
O armamento anunciado, no entanto, não existia. Além de ficarem com o dinheiro pago, os suspeitos repassavam documentos como RG, comprovantes de residência e registros funcionais para integrantes do PCC em São Paulo. Conforme a investigação, essas informações eram utilizadas em diferentes práticas criminosas, ampliando o alcance do golpe.
Para dar aparência de legitimidade ao esquema, Homero chegou a usar nomes falsos e criou perfis que simulavam clientes satisfeitos, incentivando novas vítimas a realizarem compras que jamais seriam concluídas. A Polícia Civil de São Paulo já conseguiu derrubar o site usado nas fraudes.
Foram identificadas vítimas no Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A investigação teve início após a denúncia de um representante de uma empresa paulista que caiu no golpe, o que levou o setor de inteligência da Polícia Civil de São Paulo a monitorar o esquema e acionar as autoridades capixabas.
Reincidência criminal
As apurações também revelaram que o homem já havia sido preso em 2024 por envolvimento com organização criminosa e passou cerca de dez meses detido. Em 2025, ele passou a cumprir pena com o uso de tornozeleira eletrônica e, mesmo monitorado, teria retomado as atividades ilícitas ao lado da companheira, que já havia sido denunciada anteriormente pelo Ministério Público.
Um terceiro alvo da operação não foi localizado, e as investigações seguem para identificar outros envolvidos, já que a polícia acredita que o grupo seja mais amplo.
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