Clientes de todo o país relatam prejuízos que podem chegar a R$ 5 milhões

Gabriela Nogueira Publicado em 29/01/2026, às 18h56
Um casal foi preso nesta quinta-feira (29) em São José dos Campos, no interior de São Paulo, suspeito de aplicar golpes milionários por meio de um brechó de luxo que operava principalmente pela internet. A Polícia Civil estima que o prejuízo causado a clientes de diferentes regiões do país possa chegar a R$ 5 milhões.
A empresária Francine Prado, responsável pelo brechó online Desapego Legal, e o marido, Filipe Prado dos Santos, foram detidos durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça do Piauí, onde o processo tramita. O casal foi localizado em uma residência no bairro Urbanova e encaminhado à delegacia. Durante a operação, um veículo foi apreendido.
O caso passou a ser investigado após uma série de denúncias feitas por clientes que afirmam ter entregue bolsas, joias e roupas de grife para revenda, sem receber os valores combinados ou a devolução dos produtos. Os relatos começaram a ganhar força no início do ano passado, quando a situação foi revelada em reportagem de alcance nacional.
Segundo as apurações, centenas de pessoas relataram prejuízos semelhantes. Um grupo criado em aplicativo de mensagens reuniu mais de 200 supostas vítimas, que passaram a trocar informações sobre os valores não pagos. À época, já havia dezenas de ações judiciais contra a empresa, além de diversos boletins de ocorrência registrados.
Enquanto as denúncias se acumulavam, Francine mantinha presença ativa nas redes sociais, onde se apresentava como especialista no mercado de revenda de artigos de alto padrão. Ela também comercializava um livro digital, vendido por R$ 197, no qual prometia ensinar estratégias para lucrar com a revenda de produtos de luxo, citando mais de uma década de experiência no setor.
Em janeiro do ano passado, após as primeiras acusações, a empresária chegou a admitir falhas administrativas durante uma transmissão ao vivo, mas afirmou que os problemas seriam solucionados. Na ocasião, a defesa negou qualquer intenção de fraude.
Em nota divulgada após a prisão, a defesa do casal informou que foi surpreendida pela medida judicial e destacou que a empresa entrou em recuperação judicial, com pedido aceito pela Justiça. Segundo os advogados, o objetivo do processo é ressarcir os clientes, respeitando os trâmites legais e a ordem prevista na legislação. A defesa também afirma que o casal sempre atendeu às convocações judiciais.
A Polícia Civil segue investigando o caso e não descarta a identificação de novas vítimas nos próximos dias.
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