A Polícia Federal prendeu Antônio Carlos Antunes e Maurício Camisotti, investigados por um esquema que causou prejuízos bilionários ao INSS

William Oliveira Publicado em 12/09/2025, às 08h40
A Polícia Federal (PF) anunciou, nesta sexta-feira (12), a prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido popularmente como "Careca do INSS", e do empresário Maurício Camisotti. Ambos são investigados por participação em um extenso esquema de fraudes que afeta o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
De acordo com informações da PF, a investigação identificou um complexo sistema de fraudes e desvios de verbas destinadas a aposentadorias e pensões. Antunes é descrito como um lobista que atuava como "facilitador" do esquema.
A PF relatou que associações e entidades que prestam serviços a aposentados realizavam cadastros fraudulentos, utilizando assinaturas falsificadas para descontar mensalidades diretamente dos benefícios pagos pelo INSS. A estimativa é de que o prejuízo causado por essas ações possa alcançar R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A revelação do esquema resultou na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em abril deste ano.
Após sua detenção, Antunes foi levado à Superintendência da PF no Distrito Federal, onde também foram realizadas buscas em sua residência. As investigações indicam que ele transferiu cerca de R$ 9,3 milhões para indivíduos associados a servidores do INSS entre 2023 e 2024. A defesa de Antunes não foi localizada para comentar o caso.
Camisotti foi preso em São Paulo e é considerado sócio oculto de uma entidade relacionada às fraudes na Previdência. Os advogados do empresário afirmaram que não há justificativa para sua prisão dentro da operação, ressaltando que ele não estava envolvido em quaisquer irregularidades.
A operação da PF também incluiu buscas na residência e no escritório do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, onde foram encontradas diversas obras de arte. Em nota, a defesa de Wilians afirmou que ele tem colaborado plenamente com as investigações e confia em sua inocência.
No total, foram expedidos dois mandados de prisão preventiva e treze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e no Distrito Federal, todos autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Como o esquema funcionava
Segundo a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU), as entidades sob investigação apresentavam diversas irregularidades:
Essas associações cadastravam aposentados e pensionistas sem consentimento e passavam a descontar mensalidades diretamente das folhas de pagamento. Em muitos casos, os idosos sequer tinham conhecimento das filiações fraudulentas. Há relatos de aposentados vinculados a mais de uma entidade no mesmo dia, com informações inconsistentes nas fichas cadastrais, evidenciando a natureza criminosa das ações.
Os dirigentes das entidades e alguns servidores do INSS estariam recebendo vantagens indevidas para facilitar os descontos nos contracheques dos beneficiários. A investigação começou em 2023 pela CGU e tornou-se criminal em 2024, após a PF encontrar indícios claros de delitos.
O que dizem as defesas?
Defesa de Maurício Camisotti:
"A defesa do empresário Maurício Camisotti afirma que não há qualquer motivo que justifique sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS.
Os advogados chamam a atenção para a arbitrariedade cometida durante a ação policial: Camisotti teve seu celular retirado das mãos no exato momento em que falava com seu advogado. Tal conduta afronta garantias constitucionais básicas e equivale a constranger um investigado a falar ou produzir prova contra si próprio.
A defesa reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e assegurar o pleno respeito aos direitos e garantias fundamentais do empresário."
Defesa de Nelson Wilians:
"Em relação ao mandado de busca e apreensão cumprido nesta data, Nelson Wilians esclarece que tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência.
Nelson Wilians já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados — seu cliente na área jurídica — é estritamente profissional e legal, o que será comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil comprovação.
Ressaltamos que a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. O advogado permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência."
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