Tendência nacional é de redução, mas feminicídios atingem novo recorde

Gabriela Nogueira Publicado em 22/01/2026, às 15h35
O Brasil fechou 2025 com mais um recuo nos assassinatos, consolidando o quinto ano seguido de queda nas mortes violentas intencionais. Ao todo, foram registrados 34.086 casos ao longo do ano, número 11% menor do que o contabilizado em 2024, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O balanço ainda é parcial. As informações referentes ao mês de dezembro dos estados de São Paulo e da Paraíba não haviam sido incorporadas ao sistema nacional até a divulgação dos dados. Mesmo assim, técnicos avaliam que, ainda com a atualização pendente, o país deverá manter uma redução superior a 10% no comparativo anual.
As estatísticas englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Os dados são enviados mensalmente pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela consolidação nacional.
A sequência de quedas começou em 2021 e, desde então, o país acumula uma redução de cerca de 25% em relação aos números registrados em 2020. O pico da violência letal no Brasil ocorreu em 2017, quando mais de 60 mil pessoas foram assassinadas. Após aquele ano, os índices recuaram, com exceção de um aumento pontual durante a pandemia.
Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o cenário atual. Entre eles estão mudanças na dinâmica do crime organizado, com menos disputas abertas por território, além de políticas públicas de segurança mais focadas em inteligência e prevenção. Também pesa o contexto político, que costuma intensificar ações de segurança em anos pré-eleitorais.
A queda foi registrada em todas as regiões do país. O Sul apresentou a maior redução proporcional, seguido pelo Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste. Estados como Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram os recuos mais expressivos. Em contrapartida, unidades como Tocantins, Rio Grande do Norte e Roraima encerraram o ano com aumento nos registros.
Apesar do avanço no controle da violência letal, um dado chama atenção de forma negativa. Os feminicídios atingiram um novo recorde em 2025. Foram 1.470 mulheres assassinadas por razões relacionadas ao gênero, o maior número desde a criação da tipificação do crime, em 2015. Na prática, isso representa uma média de quatro vítimas por dia ao longo do ano.
A tendência preocupa autoridades e especialistas, que alertam para a necessidade de políticas específicas de proteção às mulheres. Mesmo com o endurecimento da legislação, que ampliou as penas para esse tipo de crime, os números seguem em alta e devem crescer ainda mais com a inclusão dos dados pendentes de dezembro.
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