O advogado Rodrigo Mondego, que representa a adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana, afirmou ter sido alvo de agressões verbais nas redes sociais por José Carlos Simonin, pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos acusados do crime

William Oliveira Publicado em 10/03/2026, às 09h05
O advogado Rodrigo Mondego, que representa a adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana, afirmou ter sido alvo de agressões verbais nas redes sociais por parte de José Carlos Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança do Rio de Janeiro. Simonin é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos acusados do crime, que está preso.
Segundo Mondego, os ataques ocorreram após a repercussão do caso em reportagens exibidas na televisão no domingo (8). Em uma mensagem direcionada ao advogado, Simonin teria escrito: “Vai trabalhar pra pagar as suas contas, vagabundo.”
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O advogado afirmou que avalia entrar com representação contra o ex-subsecretário. Em entrevista, ele disse que interpretou a mensagem como uma tentativa de intimidação contra a defesa da vítima.
“Ele vinha me seguindo desde que assumi o caso. Depois de algumas reportagens exibidas na TV neste domingo (8), ele resolveu me atacar. Eu respondi ao ataque dele, mas não foi só o xingamento. Ele teve a nítida intenção de intimidar a defesa da vítima, o que pode ser considerado coação no curso do processo”, afirmou Mondego.
Em publicação no Instagram, o advogado também reproduziu a mensagem atribuída a Simonin, na qual o ex-subsecretário afirma que ele estaria “querendo cinco minutos de fama” e o manda “trabalhar”.
Mondego respondeu dizendo que atua para que o filho do ex-secretário permaneça preso e responda à Justiça pelas acusações. “Cada um ocupa o lugar que escolheu. Eu estou ao lado da vítima. A Justiça seguirá fazendo o resto”, escreveu.
Confira:
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De acordo com Mondego, a situação pode, em tese, se enquadrar no artigo 344 do Código Penal, que trata de violência ou intimidação contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete com o objetivo de favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial. A pena prevista para esse crime varia de um a quatro anos de reclusão, caso a infração seja confirmada.
O advogado ressaltou que, neste momento, a prioridade é garantir apoio à adolescente. “Nesse momento nossa prioridade é buscar apoio psicossocial para a vítima e responsabilizar os autores do crime. Em outro momento vamos analisar as medidas cabíveis que dependem de minha iniciativa”, afirmou.

Segundo a denúncia, a adolescente relatou que foi atraída pelo ex-namorado, menor de idade, até um apartamento em Copacabana, onde estavam quatro homens adultos. De acordo com o processo, os quatro são réus por estupro coletivo qualificado, enquanto o menor responde por ato infracional análogo ao crime.
Após a repercussão do caso, José Carlos Simonin foi exonerado do cargo pelo governador Cláudio Castro no último dia 4. No mesmo dia, Vitor Hugo, que estava foragido, se entregou à polícia.
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