Após o crime, a jovem fez publicações nas redes sociais que chamaram a atenção da polícia e contribuíram para sua condenação

Gabriela Thier Publicado em 11/11/2025, às 18h33
A Justiça do Estado de São Paulo impôs uma pena de 10 anos e 8 meses de reclusão a uma jovem acusada de roubar e extorquir um militar iraquiano, após conhecê-lo na Avenida Paulista, um dos principais pontos da capital. O incidente, que ocorreu em junho deste ano, ganhou notoriedade quando a ré divulgou vídeos nas redes sociais zombando da vítima e fazendo menções ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme os registros do processo, Iasmin Tomaz Discher encontrou o militar enquanto vendia brigadeiros e aceitou um convite para um jantar. Após o encontro, ela entrou no veículo do estrangeiro e seguiu com ele em direção à região do Metrô Vila Sônia, situada na Zona Sulde São Paulo.
No decorrer da viagem, o iraquiano relatou que Iasmin começou a gritar, ameaçou com uma arma de choque e tentou colocar um pano com um forte odor sobre seu rosto, possivelmente contendo substâncias entorpecentes.
O militar foi forçado a realizar transferências bancárias via Pix e entregar valores em dinheiro e documentos pessoais. Em seu depoimento, ele informou que conseguiu desarmar a jovem e escapar do carro, buscando ajuda imediatamente. Posteriormente, registrou um boletim de ocorrência e apresentou os vídeos que Iasmin havia postado em suas redes sociais.
De acordo com as investigações, foram identificadas transferências no valor total de R$519, além de R$1.500 em espécie que foram subtraídos do carro da vítima. Durante uma busca em sua residência, parte desse montante foi localizada junto a um taser e uma balaclava.
Iasmin se defendeu negando as acusações, alegando que as transferências haviam sido feitas espontaneamente pelo iraquiano por "pena" dela. Ela ainda sustentou que o uso do taser foi em legítima defesa após sofrer uma tentativa de assédio sexual.
No entanto, momentos após o crime, a jovem publicou um vídeo onde fazia declarações provocativas: "Que boqueta, cuzão. Que boqueta, truta. Cê é loco, mano! Era para eu tá presa agora, mano, mas tá ligado que a mãe é quentona aqui, consegue roubar com uma arminha de choque. Aqui é 1533 [referência ao PCC], fio, nois não é filho de pai assustado, muito menos gelado na caminhada."
A análise judicial considerou o depoimento do iraquiano como "firme, coeso e verossímil", corroborado por extratos bancários e evidências coletadas durante as apreensões. Nesta segunda-feira (10), o Tribunal de Justiça confirmou essa avaliação ao rejeitar o recurso apresentado pela defesa da jovem após sua condenação em primeira instância.
Iasmin foi condenada por dois crimes: extorsão qualificada — por forçar a vítima a transferir dinheiro — e roubo qualificado — pelo uso da arma de choque para subtrair bens do militar.
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