Recentemente, a família da modelo Luciana Curtis foi alvo dessa modalidade criminosa, enfrentando 12 horas de cativeiro na zona norte da capital paulista

William Oliveira Publicado em 02/12/2024, às 09h10
Nos últimos meses, o estado de São Paulo tem registrado um preocupante aumento nos casos de sequestro, uma tendência que havia sido controlada nos anos anteriores. Essa reviravolta está intimamente ligada à implementação do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como PIX.
Recentemente, a família da modelo Luciana Curtis foi alvo dessa modalidade criminosa, enfrentando 12 horas de tensão em um cativeiro localizado na Brasilândia, zona norte da capital paulista.
O sequestro ocorreu quando Luciana Curtis, seu marido Henrique Gendre e a filha deixavam um restaurante na zona oeste da cidade. Sob ameaças armadas e cercados por animais perigosos, como cobras e escorpiões, a família foi forçada a seguir para o cativeiro. A polícia conseguiu identificar a localização através do GPS de um dos celulares das vítimas, capturado por câmeras de segurança ao longo do trajeto.
A crescente facilidade para realizar transações financeiras imediatas tem atraído sequestradores, que agora focam suas ações em áreas associadas a uma população com maior poder aquisitivo. Os criminosos utilizam os dispositivos móveis das vítimas para efetuar transferências bancárias instantâneas.
Desde 2001, São Paulo conta com um departamento especializado na investigação de sequestros. Entre 2007 e 2019, houve uma significativa redução dos casos clássicos, frequentemente envolvendo celebridades ou empresários milionários. No entanto, a introdução do PIX em 2022 alterou o panorama, resultando em um novo pico de crimes.
Dados oficiais revelam que entre janeiro e setembro de 2024 foram contabilizados 133 incidentes de sequestro no estado. Embora o Banco Central (BC) tenha implementado restrições nos horários e valores das transferências, os criminosos adaptaram suas táticas, mantendo as vítimas em cativeiro por períodos mais longos para contornar essas limitações.
Após o incidente com a família Curtis, o veículo utilizado no crime foi encontrado queimado na região da Brasilândia. A polícia segue investigando as circunstâncias do caso e espera colher depoimentos das vítimas nos próximos dias para determinar o valor total das transferências realizadas durante o sequestro.
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