Milhares de imóveis continuam sem luz, enquanto investigação apura respostas da concessionária

Sabrina Oliveira Publicado em 21/10/2024, às 10h33
A interrupção no fornecimento de energia elétrica na Grande São Paulo continua afetando milhares de consumidores quase duas semanas após a forte tempestade que atingiu o estado em 11 de outubro. De acordo com a Enel, 3,7 mil imóveis seguem sem energia, um número que representa 0,5% dos 8,29 milhões de clientes da concessionária. A capital lidera as ocorrências, com 1.559 residências sem luz, seguida por Osasco, Juquitiba e Embu.
No total, 2,1 milhões de pessoas ficaram sem energia durante a tempestade, que provocou o segundo grande apagão na região em menos de um ano. Ventos que chegaram a 107 km/h derrubaram árvores, afetaram 17 linhas de alta tensão e danificaram 11 subestações, interrompendo o fornecimento de energia em várias áreas da capital e da região metropolitana.
A Enel informou que a energia está sendo restabelecida de forma gradual e destacou o uso de helicópteros para inspecionar as linhas afetadas, além do reforço com equipes vindas de outros estados e países, como Rio de Janeiro, Ceará, Chile e Argentina. A concessionária também alegou que intensificou o atendimento aos consumidores com maior disponibilidade nas centrais telefônicas.
Apesar das medidas anunciadas, o processo de restabelecimento não foi suficiente para evitar críticas. Muitos consumidores reclamaram nas redes sociais sobre a demora no retorno da energia e a dificuldade de obter informações por meio dos canais de atendimento da empresa.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) decidiu abrir um processo administrativo para investigar a atuação da Enel durante a crise energética. O objetivo é verificar se a concessionária adotou medidas adequadas para informar e atender os clientes prejudicados. Segundo Wadih Damous, secretário da Senacon, "eventos climáticos extremos não justificam a falta de planejamento e resposta eficiente por parte das concessionárias".
A Enel respondeu que está colaborando com a investigação e atribuiu a crise à severidade do fenômeno climático. No entanto, o órgão federal insiste na necessidade de responsabilização da concessionária por falhas de planejamento, especialmente diante de um cenário em que eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes.
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