Diário de São Paulo
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Apagão em SP

Quase 1 milhão de clientes da Enel permanecem sem luz neste domingo (13)

A capital paulista é a mais afetada, com aproximadamente 552 mil pessoas sem eletricidade

Quase 1 milhão de clientes da Enel permanecem sem luz neste domingo (13) - Imagem: Reprodução / G1 / Valéria Oliveira
Quase 1 milhão de clientes da Enel permanecem sem luz neste domingo (13) - Imagem: Reprodução / G1 / Valéria Oliveira

William Oliveira Publicado em 13/10/2024, às 11h18


Na manhã deste domingo (13), cerca de 900 mil consumidores permanecem sem energia elétrica na região metropolitana de São Paulo, após mais de 32 horas da tempestade que varreu a área com ventos intensos, considerados os mais fortes em quase três décadas. A capital paulista é a mais afetada, com aproximadamente 552 mil clientes da Enel ainda sem fornecimento de eletricidade.

Outras localidades também enfrentam interrupções significativas no fornecimento. Em São Bernardo do Campo, 60,4 mil consumidores continuam sem luz, enquanto Cotia e Taboão da Serra contabilizam 59 mil e 55,5 mil residências afetadas, respectivamente.

No bairro Vila Andrade, zona sul de São Paulo, o descontentamento dos moradores foi evidente. Um residente vocalizou sua frustração ao constatar que seu edifício seguia sem energia, apesar do restabelecimento em partes do bairro. Outros moradores demonstraram apoio, utilizando panelas para amplificar seus protestos.

A Enel Distribuição São Paulo emitiu uma nota assegurando que esforços contínuos estão sendo realizados para normalizar o serviço. A concessionária afirmou estar mobilizando 1,6 mil técnicos nas ruas e planeja aumentar esse contingente para 2,5 mil profissionais. Para reforçar as operações, equipes do Rio de Janeiro e Ceará foram chamadas a contribuir.

A interrupção inicial afetou mais de 2,1 milhões de consumidores na sexta-feira, incluindo tanto residências quanto estabelecimentos comerciais. O incidente desencadeou reações políticas significativas. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), responsabilizou a Enel pela crise energética e destacou a responsabilidade do governo federal sobre a regulação da concessionária. 

"Mais uma vez, a Enel dando problema para a nossa cidade", expressou Nunes com extrema insatisfação.

O atual governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), utilizou suas redes sociais para criticar a empresa e instar ações rápidas do governo federal. Ele pediu que o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considerem um processo de caducidade contra a concessionária.

O ministro Alexandre Silveira exigiu celeridade da Aneel na supervisão das medidas adotadas pela Enel para resolver as falhas. Em comunicado oficial, o ministério enfatizou as recorrentes deficiências da empresa em suas áreas de concessão.

A Aneel já havia expressado insatisfação com a resposta da Enel aos danos causados pelas intempéries, considerando-a abaixo das expectativas do serviço requerido. A agência demandou que a Enel justifique as falhas registradas e apresente um plano de ação imediato.

No cenário político local, Guilherme Boulos (PSol), candidato à Prefeitura de São Paulo, criticou tanto a administração municipal quanto a concessionária pela situação caótica enfrentada pelos cidadãos. O parlamentar destacou o impacto negativo no Campo Limpo, onde reside e onde uma tragédia resultou na morte de um morador atingido por uma árvore caída durante a tempestade.

"Descaso completo, essa é a situação de uma cidade que, ao mesmo tempo, não tem prefeito e tem uma companhia elétrica que, a gente já sabe, é uma tragédia", afirmou o candidato.

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